Fotografia, Suzana Guimarães

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015



Cruzes! Já levei pesada na cara (chute de baixo para cima), soco no nariz, chute nas laterais das coxas...esses são os inesquecíveis..., esclarecendo a quem não sabe, luto jiu jitsu -, já desjuntei meus dedos e já caí errado e soquei minha coluna no chão. Fatos inevitáveis. Acontece e você acostuma. Contudo, dói muito mais o soco moral, o murro que você não está esperando e que nem o toca, vem em forma de palavras, palavras essas inúteis, que não são destiladas com a intenção de ajudar, acordar ou somar. Palavras usadas somente para suprir buracos que terceiros fizeram. Palavras usadas também para tentar matar os sentimentos de frustração e de remorso que o outro não sabe mais como carregá-los.

Eu disse que gostava de diários?

Dezembro, 25.
Nos últimos meses: eu dei a corda e você a usou. Sinto muito. Saí impune. A vida é um jogo e eu sou filha de jogador de pôquer. Aprendi na transmissão do sangue. Um viva a nós! Obrigada por ter se sentado à mesa.

Dezembro, 2015

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015


Acabo de saber que, além de não podermos mais velar nossos mortos por causa dos assaltos durante as madrugadas (isso, eu soube em 2013), agora, não podemos mais andar de dois em motos, após determinada hora; e, também, não há mais missa do galo em muitas igrejas. Ou seja, quem está livre é o bandido.

GRAÇAS A DEUS, eu deixei o Brasil.



Dezembro, 24

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015



A minha mãe disse-me que sou criança de colégio que fica jogando bolinha de papel nos colegas... 

pro-vo-can-do.


Conheço pessoas que esperam o parceiro perfeito, a formatura, o emprego, o dinheiro, a casa quitada, esperam tudo! O filho chegará apenas quando "n" fatores estiverem enfileirados, por tamanho, prioridade e sei não mais quantas desculpas. Para quê? Amanhã, estaremos todos mortos!

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

No salão de beleza que frequento há um ano e um mês há vários profissionais. Hoje, descubro que o cabeleireiro mais simpático, simples, presente e agradável é justamente o dono do estabelecimento. Oras! Ah, dá para entender porque o salão está aberto desde a década de 1980...

A atendente do outro lado da linha telefônica diz que a encomenda que eu estava devolvendo, por estar errada, seria recolhida por alguém da empresa x no dia seguinte. Respondo que não haveria ninguém em casa. Ela então diz, "Deixa o pacote em cima do muro que o rapaz pega".

Sobre coisas boas de se comentar.

SACROSANCT

(by Suzana Guimarães)

Prepotência e autoritarismo não combinam com amizade. Amizade é sinônimo de gostar. Você sabe o que é isso? Não aceito condições quando falo de coisas do bem gostar. Não aceito, nunca, ser feita de bode expiatório, por amor algum deste mundo. 


Recomendo: divã de analista.

Novembro que se foi, graças a Deus.

Regras estúpidas existem somente para serem quebradas.

(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)



segunda-feira, 16 de novembro de 2015

A tola e eu.




(arquivo pessoal de Suzana Guimarães - Salt & Pepper hair)


Ontem, eu comentei que iria cortar o cabelo hoje. A pessoa me conhece há menos de três meses. Ela questionou o corte, perguntou se tinha estilo, eu falei, "É o pixie!", ela disse desconhecer. Ela disse que minhas roupas, a cruz no peito, o cinza, tudo, tudo mostrava a cara de alguém sem confiança em si mesmo. Ela havia acabado de me mostrar a extensão nos cabelos loiros, nos cílios e as unhas em gel (nada contra!)... Eu respondi que somente uma mulher muito confiante corta o cabelo bem curto e deixa-o branco. Eu nada tenho contra tinturas, apliques, unhas pintadas. Eu adoro salões de beleza! Mas eu não suporto quem fala demais sobre mim.

Pensei que eu teria alguma reação negativa, após cortar o cabelo e ver os fios cinzas e brancos, e que isso surpreenderia a mim mesma. Nada! É só cabelo e apenas faz conjunto com um todo.

Vou deixá-lo crescer e, se eu não gostar, tenho as opções de pintar tudo ou fazer leves mechas contrárias.

Eu sou cinza e isso é complexo de se explicar.

Ela é uma tola!

domingo, 1 de novembro de 2015

Quando entrei na casa, a dona não me cumprimentou, não me olhou, não me viu, não emitiu um som, mas ele havia estendido um invisível tapete vermelho para eu passar... Quando entrei na casa, a dona fingiu-se de morta, dorminhoca, e eu fiquei na cadeira que ele praticamente sentou-me, inclusive, inclinou-a bastante para eu ficar confortável... Quando entrei na casa, ela, após um tempo, levantou-se, andou pela cozinha, permaneceu na atitude grosseira de não se dirigir a mim, mas ele havia estendido um invisível tapete vermelho para eu passar... e eu fiquei até quando assim desejei. Quando entrei na casa e saí, prometi, jamais, nunca mais. Quando ele vier a minha casa, haverei de estender um invisível tapete vermelho para ele passar e entrar.



Eu disse que gostava de diários?


Noite de Halloween.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

no Facebook...

Para J.: Tenho medo da falta do sorriso, falo de um sorriso farto, translúcido...tenho medo desta pausa contrária à vontade; deste mundo que vai estreitando-se, em movimento interno e imperceptível - apenas traído pela falta desse sorrir. O mundo interno não pode ter porteira fechada; precisam nele passar esperança no amanhã, suavidade, abstração -muita!, e uma boa dose de loucura. Tenho medo, mas agora ele é rei!


(arquivo pessoal de SCG)


Deus, afasta de mim quem mente sobre coisas importantes porque as pequenas eu até relevo. Afasta de mim quem não gosta das minhas palavras porque se eu espetei fundo é porque antes espetaram-me, ou aos meus, e eu não sou anjo ou santo para dar a outra face. Deus, afasta de mim quem não sabe o que quer e do ambicioso em demasia. Afasta de mim quem reclama diariamente do pão que está comendo, do trabalho que tem, da vida que leva, sendo que tudo é resultado de cada passo dado e em sã consciência. Deus afasta de mim quem usa pessoas. Deus dá uma luz, que seja fresta fina na noite escura a passar pelos vãos das portas e janelas fechadas, mas dá porque é nojento ser humano.


Outubro, 20

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Frases para 2015:


1. O tempo dá respostas. Você só precisa esperá-lo.
2. Quem muito quer, muito perde.
3. Você sabe com quem está falando?
4. Rapadura é doce, mas não é mole.
5. Se casamento por amor é difícil, imagina por qualquer outra coisa.
6. Cuidado com o que você fala.
7. Meu sorriso pode não ser de bem querer.
8. Bem disse Oscar Wilde, "Só os tolos não julgam pela aparência!".
9. Mostra-me a sua casa e eu direi quem você é.
10. Para sempre, John Ruskin: "Não tolera aos seus pés nada que não lhe seja belo ou que não lhe seja útil". Algo assim...
11. Viso o fim, a mim pouco importam os meios.


Suzana Guimarães

Em, ano das pedras.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Ventos ensacados...


Como é que faz para ensacar vento? Eu adoro ventos, brandos, fortes, leves. Ventanias. Alvoroço nas ruas e nos céus. Ouvi dizer que podemos ensacá-los. Como? Quero também, quero-os enfeitando meus dias.



Outubro, outono, 8

(inspirada nas palavras da presidente do Brasil)

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Susceptibilidades. A palavra é até complicada para falar e tem gente que vive assim, cheia de não me toques!

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Questão absurda

O que é o melhor? O que é perfeito, oportuno, conveniente? O que é o correto? O que é o contrário de tudo isso? 

Quem tem a primeira pedra?

Outubro, 1


quinta-feira, 24 de setembro de 2015


(por Suzana Guimarães)


No meio do caminho, tinha Deus.

setembro, 24

sexta-feira, 18 de setembro de 2015



Ontem foi longo, hoje, também. Anteontem mais longo... e aí você percebe que perdeu o metro, a régua, alguma pontuação. Meu nome é sem fim, é exaustão.

Setembro, 18

quarta-feira, 16 de setembro de 2015


Sábado passado, fui babá por algumas horas de um bebê. Fiquei pensando, "Como é leve, como é fácil!". Sem desmerecer as babás profissionais, claro, é tudo muito simples porque os números dos telefones dos pais estavam escritos em um pedaço de papel em cima da mesa de centro da sala. Eu nunca tive esses números, tive anjos ajudantes e tive Deus que não usa telefone.

Palavras de uma mãe levemente exausta.


O ideal seria que todo aquele cheio de regras fosse o primeiro a respeitar as regras alheias, mas não é isso o que acontece, infelizmente.


Quanto esforço devemos colocar em cima de uma ideia? Todo, até o último suspiro.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015


Alguém me disse (traduzindo meio que assim), "Para você nada parece ser suficiente". Sim! Acertou. E, se alguém quiser esnobar-me, que o faça com força, porque pouca coisa nem assanha meus músculos faciais.

"I feel like we really try hard for you and maybe you don't see that, sorry if this has not been enough."

sexta-feira, 11 de setembro de 2015



No ano passado, passei horas vendo fotografias do povo yazidi fugindo de suas casas, indo sem rumo pelas estradas de terra, apenas com as roupas do corpo, fugindo dos ataques, no oriente. Parecia obsessão, eu varava a noite, não por masoquismo, mas sim porque eu queria entender e lia, lia... No entanto, o que me marcou profundamente foi encontrar, naquelas pessoas, principalmente mulheres e crianças - já que a maioria masculina já estava morta -, elegância, dignidade, hombridade, algo que não sei denominar, nenhuma palavra me ajuda, nenhuma consegue dizer o que eu senti. Só sei que vejo e sinto isso nessas fotos, mas não sinto em tantas outras, onde a vida transcorre normalmente, longe de qualquer situação extrema, mesmo sabendo eu que todos nós temos nossos céus e nossos infernos para carregar.

Setembro, 2015

terça-feira, 8 de setembro de 2015


Ela sempre fala que os outros fazem drama, assim o faz porque não o conhece, o drama, e é claro, está para conhecer, se ainda não começou... porque ela é gente e a todos são dadas certas quantidades disso ao longo da vida. A sua dose de drama, querida, aguarda por você.


Resmungos felizes de Suzana Guimarães.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Dia isopor. Mãos secas segurando-o, esfregando-o nas paredes, raspando-o no chão de cimento. Sempre tive gastura de dias excessivamente longos, viagens infrutíferas e de isopor. Dia irritadiço passando por bonanças. Na maior parte do tempo, irritadiço mesmo - mais ou menos desde cedo e da visão das pernas finas no conjuntinho sexy; tudo tão harmonioso, golpe certeiro. Depois, ladeira abaixo. Fui galopando num puro sangue inglês sem freios. Um dia que me levou. Dia isopor. E eu aqui, falando de ontem.


Não é para entender. Não se iludam com aquilo que nem eu me iludo. É apenas para deixar a lembrança do isopor na mão rachando de seca. Nem sempre quero ser entendida. Alguém poderia explicar certas gasturas?


Setembro, 3 e eu estou falando de ontem e você faz perguntas demais.

sábado, 29 de agosto de 2015

Resumo


Quatro quilos mais gorda, loira, com as unhas bem resistentes e longas, assando nesta terra quente - ar condicionado continua quebrado -, as malas desfeitas enfeitando a casa e eu mais forte do que antes, muito mais forte; os ventos disseram-me e o Dário Banas. A minha vida agora conto assim: de agosto a julho. Tudo é questão de dieta, tinta, tesoura e dinheiro. Tudo é questão de ângulo - ao direcionar o olhar - e de tempo. Foca no fim e o meio é o que vier.


Agosto, 29 - abençoado mês!

terça-feira, 11 de agosto de 2015

sábado, 1 de agosto de 2015

Toc... toc...
Quem é?
É a loucura.

1.Você já está começando a se atrasar.

2.Para os melhores reis, as minhas melhores armas. O melhor metal, a melhor pedra. As armas não serão de brincadeira.

3.Muito chão que pisei perante suas iludidas longas unhas. Meu caminho é bem mais extenso. Perverso.


Frases da semana. Frases da Suzana.

terça-feira, 28 de julho de 2015


Vi com intensa clareza. Era ainda meio de tarde, havia um pouco de Sol e crianças soltavam pipas, e isso levou-me para trás, uns quarenta e tantos anos... E eu o vi, agitado, andando de um lado para outro ou sentado, por horas, lendo e datilografando, cumprindo o seu melhor, por ofício, por cumprir, por ter que ser, também por caridade. Depois, tudo passou. Tudo memória. Aos meus pés, seu nome escrito acima de duas datas. E eu entendi, é isso o que a gente deixa: um nome.

Diários.

Hoje.

sexta-feira, 17 de julho de 2015


O tempo chega e a gente recupera mais rápido, mesmo que venha a cair novamente na mesma pedra...

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Em um cruzamento de ruas, passavam carros, pessoas, motos, borboletas, um certo nervosismo, passava o tempo, passava eu e eu vi, Belo Horizonte tem um dono.

Eu disse que gostava de diários?

terça-feira, 16 de junho de 2015


Antes de medir força, analisa bem a outra parte... você deveria ser excelente nisso! É isso! Falta-lhe excelência.

Junho, 16
Meus olhos viram muito. Preciso fechá-los e só me lembrar do que quero.

Junho, 16

segunda-feira, 15 de junho de 2015


Eu perguntei, "Você quer que eu fale em Português ou em Inglês?". Ele respondeu, "Você escolhe". Êta mundão sem fim!

Junho, 14

sábado, 13 de junho de 2015



O bom da muita idade é que tudo passa bem rapidinho. Tristeza nenhuma dura vinte e quatro horas. Ainda mais depois que a gente decide a agenda...

Junho, 13

Diários? Ah!

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Detesto gente fria, desinteressante, mal arrumada, sem vaidade com o corpo e as roupas e as unhas e tudo mais... detesto gente sem gentilezas, sem cuidados, falsa, fingida, mentirosa (ah, essas últimas, quero matar!). Detesto gente preguiçosa, que passa o tempo à toa, que não lê, que passa o dia diante da televisão. Detesto gente descuidada com os filhos, com sua própria alma. Gente figurante. Eu não nasci para ser figurante!

Junho, 10

segunda-feira, 8 de junho de 2015



Sobre mulheres e meninas.

A menina que não lhe agrada é aquela que você sonhou ter sido e recebida, mas não foi.

Junho, 7

domingo, 7 de junho de 2015


A razão diz, "Vai, Suzana, continua!". O coração diz, "Manda às favas". Eu que sempre gostei de caminhar no meio dos dois, decidi, no último ano, ouvir meu velho coração cansado e desiludido, e um tanto quanto doidinho; mandar às favas é se lançar ao nada e isso está me seduzindo mais do que amizade, sexo, amor e tentativas estúpidas de que tudo dê certo.

Junho, quase 7

terça-feira, 2 de junho de 2015



Meu amor arrastou-me para o tatame, hoje. Treinei com um cara que eu gosto. Mas há algo que me intriga: por que alguns colegas comentam que eu não luto jiu jitsu? Ah, por quê? Porque eu gosto das técnicas, belas feito uma dança, um balé, mas luta é luta e eu não gosto de perder. Meu amor disse-me: "Você pensa que na rua eu vou fazer técnica de Jiu Jitsu?". É isso! Foram os brasileiros que inventaram essa luta e então ela está dentro de nossos moldes e gente abaixo da linha do Equador tem fogo nas ventas, gingado nos quadris, molejo na alma. Eu empurro, escorrego, prendo, dificulto, só falta eu morder. Não mordo porque mamãe deu educação.

Eu ando pegando os últimos dias na unha. Se você for tolo, parvo e manso, mantenha distância, por favor.


Ficou triste com o que eu lhe disse? Imagina o tanto que eu fiquei quando foi comigo! Usa meus olhos, sinta com meus poros e você verá que o que eu contei pode ser mais, menos ou igual, mas nunca o mesmo, pois é imensurável.

Junho, 2


Em minha primeira semana nos EUA, eu me perdi, sozinha, sem celular e com um Inglês péssimo. Peguei chuva. Ah, como chovia! E aqui raramente chove. Andei longo tempo sem coragem para pedir ajuda. Até que me decidi e parei um cara. Falei da minha situação. Ele respondeu, "Tive uma namorada brasileira, não sei falar em Português, mas entendo, fala em Português." Ele emprestou-me o seu celular. Hoje, marido e filhos iam pela rua, quarteirão ao lado da nossa casa. De repente, uma moça de óculos escuros, muitas malas e uma camiseta "Jiu Jitsu Brasileiro". Parecia perdida. R perguntou, "Are you lost?". Ela, "I`m sorry, my English is not good". Maridão, "Are you Brazilian?". Ela, "yes". Ele, "Fala em Português porque fica mais fácil" e desandou a rir. Bom, eles me viram na figura, claro, of course. Faixa azul, veio de Maringá, para o Campeonato. Ia para o aeroporto de LA. Dívida paga.


Junho, 1

domingo, 31 de maio de 2015



Eu sempre ia afoita, cheia de esperança e vontades, muitas, ia meio que delirante, fingindo ter-me sob controle. Agora, eu vou vazia, oca, desgastada, puída, sem a mínima fé na amizade e muito menos no amor. Muito menos, na expectativa da doação. Eu ainda vou afoita, mas fingindo coisa alguma. Simplesmente vou porque quero ir.

Amanhã, inicio o regresso. Espero encontrar-me lá.

Maio, 31


Você pensa em mim com certo rancor, mágoa, sei lá, eu apenas sinto. Você sofre a ilusão da gaiola, imagina conter tudo em suas mãos largas e fortes, mas, meu bem, você desconhece a estranheza, o estar em tudo e em nada, a ignorância do que dizem. O que dizem? Pouco importa, mas é o mesmo que navegar em mar aberto sem bússola, água e comida - ah, porque há muita fome e disso eu entendo que você conheça -, é voar em céu sem pouso. Você não me alcança nem que eu falasse todas as línguas. Você não me alcança porque, enquanto falo, você pensa na resposta.

Maio, 31
Podem me tirar tudo, menos meu humor e a minha cultura.

sábado, 30 de maio de 2015

Faça-me rir e eu o farei rei.


Ontem, R. e eu fomos à uma festa em um bar. Fui convidada há um mês. A aniversariante me recebeu com muita simpatia, abraços e sorrisos, mostrou-se muito educada, gentil e agradável... ela trabalha na escola onde meu filho estuda. Chegamos um pouco tarde e não havia assento para nós. Era um bar e para mim tudo estava ótimo! De repente, vejo dois lugares desocupados. A gente senta. R me diz que ouviu duas pessoas dizendo que éramos intrusos e que uma fulana ficasse de olho nas bolsas em cima dos sofás. R. não queria me deixar passar, claro, eu iria enquadrar aquela criatura... eu precisava que ele se levantasse para eu passar. Quase rosnei, daí, ele cedeu. Uma das pessoas estava de costas, eu cutuquei dois dedos em suas costas e meu Inglês que quase nunca sai bom, saiu mais que bom, perfeito, alto e em bom tom. Uau! Ninguém fala merda na minha frente, não! Se falar, leva!


Eu disse por acaso que gostava de diários?

Maio, 30
Homens são atraídos pela beleza. Mulheres, pela oculta promessa.

sexta-feira, 22 de maio de 2015



A falta do amor ou ele próprio, um falso, eu vejo devagar, demoro anos. O amor de verdade, vejo numa fração de segundos.

Eu disse que gostava de diários?

Maio, 22

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Sobre crise


Aprecio a crise. Sem ela, tudo é festa. Tudo está ótimo e as pessoas são afáveis e sorridentes. Todos iguais, feito soldadinhos na fila. Aprecio a crise porque é ela quem faz a desordem e retira as máscaras; mostra a verdade. Gosto dela, apenas dela. As reações humanas que irão compor esse momento são óbvias demais. Nada contra o óbvio, mas dar de cara com o verdadeiro caráter de uma pessoa é algo esperado. Só os tolos não pensam ou aguardam por isso! Eu aprecio o fogo ardendo e os ratos correndo. 


Marcante maio, 2015

sábado, 16 de maio de 2015

disappointed...



(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)

The word is disappointed... As palavras são bonitas, algumas definem tudo em poucas sílabas, dispensam frases, dispensam sentenças, dispensam orações.

Maio, 2015

sábado, 2 de maio de 2015



https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=9fmMK0lfv80


Eu não preciso desta música para me lembrar dele, para isso, basta ollhar o espelho ou ouvir o som que as folhas fazem quando o vento bate nas árvores... basta eu deixar explícito meu gênio irascível ou meu gosto por armas e dicionários. Para eu me lembrar dele nem preciso disso, do ato de recordar. Está impregnado em mim, em minhas crias, em certos homens que atravessam o meu caminho... e eu me reencontro com ele, mesmo assim, vendo aquele homem ao longe, cabeleira branca, andar trôpego, de mãos dadas com ela... não é ele? E eu sou eu? Juro por esta existência, eu transpirei amor quando vi aquele senhor caminhando, nem sabendo de mim, estática em frente à porta do supermercado, chorei feito criança, sozinha, perdida, igual naquelas noites em que pensávamos que ela iria na frente e ele, muito nervoso, tentava controlar situações incontroláveis.

Eu disse que gostava de diários?

Maio, 2

terça-feira, 14 de abril de 2015



Pessoas fortes somente quando os ventos sopram a favor? Ah, isso é fácil!

Abril, 14




(...os fracos fazem festa nos momentos bons e imaginam os ventos, seus escravos)

sábado, 11 de abril de 2015


Eu não sei por quê. Eu só sei que a palavra em Português amacia-me. Entretanto, preciso aprender a falar em outra língua e isso que parecia tortura terá que ser prazeroso. Não que eu não fale, falo, mas de nada a minha alma sabe, como uma trava, uma gruta secreta, escura e chata... Escrevi palavras para a minha filha ainda muito pequena em meu IPad... ela ouvia a tradutora do Google repetindo a mesma palavra das duas maneiras e em 99% das vezes, a minha filha preferiu em Português. Então, não é porque nasci naquele mundo, então, não é porque tenho pouca inteligência... é porque eu só sei ser assim...


Eu disse que eu gostava de diários?

Abril, 11

terça-feira, 7 de abril de 2015


De tudo do jiu jitsu - e não é pouco -, eu sou fascinada pela técnica chamada guilhotina. E eu a repito sempre quando luto e isso é o meu segredo que eu nunca fiz questão de mantê-lo segredo, algo sigiloso, pelo contrário, faço questão de comentar sobre. O que me intriga é saber que mesmo com o conhecimento de todos, o meu elemento surpresa não é eu tentar fazer a guilhotina, e muito menos repeti-la - sim, eu a repito inúmeras vezes em uma mesma luta, incansavelmente - o elemento surpresa não sou eu e a minha técnica preferida, mas sim saber que meus oponentes na maioria das vezes são pegos nela simplesmente porque eles não acreditam que eu ainda não desisti. Não desistir é a principal arma do humano, contudo, pouco usada.

Eu disse que gostava de diários? 
Abril, 7.

domingo, 8 de março de 2015


Nenhuma tristeza consegue ser artificial, alegria, sim.


Sobre a moça da fotografia.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Estou com sensibilidade auditiva. Que tudo seja bem pouco. Estou atraída mais ainda pelo pouco. Pouco som, poucos atos, pouca vontade. Cansei-me do tudo, do muito, do absurdo. Ainda sinto na pele a última viagem que fiz. Pareço a sucuri que engoliu a viagem, no meu caso, sim, ela, a viagem. Continuo lá, naquelas estradas, naquela cidade. Nunca algo foi assim tão forte em mim. Talvez por isso eu não queira mais nada. Quero continuar digerindo o que vivi. Se perco meu tempo, se a vida se esvai... o que é que o mundo tem a ver com isso?
Março, 4

segunda-feira, 2 de março de 2015

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Fazer esforço demasiado para mudar uma situação pode resultar em cansaço com sensação plena de incapacidade. Há algo mais entre você e a existência, embora você não possa ver. Esse algo a mais são avisos miúdos, casuais, sutis... parecem nada dizer, porém, dizem tudo. Hoje, eu me vi diante de uma porta já aberta; um painel pendurado na parede bateu com força, plaft, plaft...; no chão, antes do meu próximo passo, um ramo seco de alfazemas... aviso dado.

Eu disse que gostava de diários?

Fevereiro, 27

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Dei-me ao luxo da simplicidade de recusar, de fazer pirraça, de insistir em afastamentos. Nada para os outros; tudo isso só para mim mesma... sem explicações ou pudores: negativas rasgantes. Dei-me ao luxo da singeleza de nem pensar em arrependimentos - minha eterna culpa; livrei-me dessa! Assombra-me tanta liberdade! Assombra-me este voo solitário sem par, onde eu me busco, às vezes, para ter certeza de que não sou outra.

Suzana Guimarães.

(Em 29 de janeiro de 2015, no Facebook, originalmente)

domingo, 18 de janeiro de 2015

Se eu soubesse escrever, eu escreveria um sorriso. Se eu soubesse desenhar, desenharia um sorriso. Enviar? Um sorriso. Guardar? Outro. Eu queria que chovessem as flores de Theresa, mas em forma de sorrisos.

Diários, janeiro 18

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Entre o são e o insano vejo um fio de luz, ligando um poste a outro, onde pássaros já pousaram e ainda pousarão. Vejo a simplicidade do mundo e a disposição das coisas e pessoas. Ao final, tudo é um conceito só, única chama, vários prismas: misteriosa existência.



(Postado originalmente em 5 de janeiro de 2015, às 22h45min, no Facebook.)

domingo, 4 de janeiro de 2015



Um minuto antes da loucura: não sei se rio, não sei se choro, não sei qual pose faço, não sei se encaro ou se desvio, se ignoro ou se me deixo ir ou se retorno. Não sei se me agasalho, se me volto e decido para trás, ou se finjo. Perdi a noção exata de tudo quanto foi certíssimo, absolutamente claro. Sinto ora frio, ora medo, dor na espinha vertebral. Depois tudo será novamente monotonia, mas agora, um dia, uma hora, uma milha, uma noite inteira, toda a vida, antes, esse antes, tudo é noção clara de insanidade.

Eu disse alguma vez que gostava de diários?

Janeiro, que dia é hoje?



P.S.: A sensação final é: branco total. Parece tudo mentira. Nasci agora.