Suzana Guimarães Lily, by LRGM

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Meu filho está de férias e, por isso, pode ficar acordado até à madrugada. Ele acabou de me dizer: "Estou reparando você. Você não fica quieta, deita, levanta, vai ao computador, deita novamente, abre o IPad, levanta, vai à cozinha, deita de novo, levanta, toma chá na sala, no escuro, come biscoitos. E recomeça". Sou feliz, sem ter que fazer esforço. Sou feliz porque sou livre de mim mesma.



Nota: Originalmente publicado em minha página no Facebook, no dia 30 de julho de 2014.

terça-feira, 29 de julho de 2014


A verdade não pode incomodar, apesar de falar muito alto, o suficiente para endoidá-lo. A verdade custa caro ou barato? Ela não tem preço, é só a constatação de fatos. Por que então as pessoas a evitam? A verdade liberta, desfaz prisões. Ela machuca? É um indesejável alvitre? Você pode não querer conviver com ela, fingir não vê-la, entretanto, matá-la, jamais. Ela sobreviverá apesar de tudo o que você fizer.

Julho, 29

Eu disse que eu gostava de diários? Dizer, importa?

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Que me perdoem...

Há pessoas, em determinada época, apesar de seus sentimentos puros e verdadeiros, que não merecem um sequer de fiapo de nossos pensamentos. Que me perdoem o amor, o desejo, a história e o tempo.

Julho, 28

domingo, 27 de julho de 2014



Se eu fosse madame, se eu fosse à toa, eu não seria motorista, não seria faxineira, cozinheira e babá. Eu teria privacidade e tempo. Eu poderia escrever, escrever, explodir de escrever. Eu poderia estudar Inglês, eu poderia ler. Se eu tivesse privacidade, eu poderia chorar minhas perdas, minhas dores, minhas saudades. Se eu fosse um ser individual, eu teria horas sozinha, eu comigo mesma. Eu poderia tomar chá, olhando o teto da casa. Eu poderia remexer em minhas fotografias. Eu poderia me lembrar de quem eu quero. Se eu fosse tudo aquilo que pensam de mim, provavelmente eu seria muito mais feliz. Pois, apesar de tudo, sou feliz. Se eu fosse... não é ser de verdade, no entanto.


Julho, 27



sábado, 19 de julho de 2014

A JANELA

(Picture by SCG)

...Antes da visão da igreja batia um vento frio e fino, calmo, na janela aberta por onde a fotógrafa espiava. Corriam as horas no relógio que sequer era olhado. Alguém dormia. Havia sons no prédio da janela, constantes, por toda a noite. A cor do céu, a fotógrafa, infelizmente, não conseguiu captar em sua essência, e nem a vida que se agitava lá fora. A igreja foi o detalhe, mas, sim, é a igreja de Santa Teresa, em Belo Horizonte. Só não sei dizer se era noite começando ou manhã se aproximando... nem a fotógrafa.

Julho, 2014