Fotografia, Suzana Guimarães

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Amor é um só. Muda só o adjetivo.





Você foi tropeçando e me jogando ao chão. Você não sabe o tanto que eu aprendi! Você não sabe, mas estava ensinando-me. Absorvi. Hoje, abro seus lábios delicadamente e derramo neles tudo o que você ofertou-me. Agora é a sua vez de aprender...

Não reclama. Aprenda. 



Ele disse que eu escrevo despreocupadamente...
Sim, escrevo! Isso foi lindo! Esse acerto. 
Basta-me a convivência humana... não reclamo da vida, ela é ótima; quem estraga tudo são os humanos.

Junho, 28

P.S.: Não sou humana, sou assumidamente um alienígena perdido.

Os rios correm para o mar. 
Nas margens há favas e ervilhas...
Mas favas e ervilhas não são apreciadas.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Para aquele que para, o sem graça.


Existia a figura "Segura vela", que era a pessoa que ficava perto do casal de namorados ou para vigiar, a pedido dos pais de um deles ou de ambos, ou por inocência mesmo.

Eu nunca me importei com o "Segurador de vela". O que incomodou-me sempre foi o "Empata foda", e não me refiro ao sujeito que atrapalha o namoro do casal; mas, sim, àquele que, ao perceber que o outro está se divertindo, concordando, aceitando, achando graça, ou mesmo, quase gozando, para. 

Para. Simplesmente para. É o sem graça.



Existe grande diferença entre ser seguro de si e decidido. As pessoas me dizem que sou bastante segura de mim, não, não sou. Tenho dúvidas, inúmeras. Acordo, muitas vezes, com os joelhos no rosto tamanha a ansiedade... o que eu sou é decidida e corajosa. Uma vez decidido, eu sigo em frente, com medo ou sem.

Julho, 19

domingo, 16 de julho de 2017


Por causa do tênis de marca famosa, da Disney... por causa das coisas que não teve, que não podia ter, acontece o ditado, "Quem nunca comeu melado, quando come se lambuza". 

Por causa da televisão que foi furtada, uma fortaleza é erguida...

Por causa de uma perda, trezentas são descartadas e choradas...

Por conta de uma pequena aventura que não viveu por que não se permitiu...
Nunca mais volta para casa.

Julho, 16

sábado, 15 de julho de 2017


Tem gente que desperdiça a vida; tem gente que a economiza. Penso que estou sempre no meio-termo. Isso soa enfadonho a mim mesma, mas meu mundo pessoal já é tão enigmaticamente incontrolável que eu me basto, eu me canso; eu me canso do absoluto em mim. 

Julho, 15

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Já perdi pessoas que eu adorava por coisas bobas, e, principalmente, por causa de terceiros - que eu detestava, ignorava a existência deles ou sequer os conhecia. Às vezes, por culpa minha, às vezes, não, e em algumas raras situações, por conta de nossos gênios ruins ou por insanidade mesmo. Temos o hábito de perder as estribeiras com os mais íntimos porque é o caminho mais lógico e natural... Já perdi pessoas que eu adorava, e, provavelmente, ainda gosto, de forma irretratável. Não adianta o comentário de que quando é de verdade, o amor é para sempre. Já vi e vivi caminhos sem volta, mão única em direção ao infinito. A gente lembra, mas não volta, e não é por rancor ou ingratidão; é porque a relação tornou-se, além de amorosa, nociva e desrespeitosa. Ficou maculada.

É por isso que hoje eu me contenho. Conto até dez, saio de perto, não respondo, faço vista grossa, deixo pra lá. É porque eu já perdi muito e não quero perder mais. O amor é poderoso, cabe bastante, se dá mais ainda, é a casa da mãe amorosa onde sempre cabe mais um, mas nem sempre teremos duplicações; pessoas são induplicáveis.

Não perderei quem eu gosto por causa de terceiros, principalmente, não perderei por causa de futebol e política. Não perderei mais ninguém. Quem quiser, que me perca.

Julho, 13

quarta-feira, 12 de julho de 2017


Todas elas me entendem, mesmo se eu falar errado. A maioria deles, não! Meu filho disse, "Você os perturba."

Ah, se esses soubessem... eu os odeio porque eles não podem ajudar.

O papo morreu no nascedouro; melou! O vizinho é americano nato, e, por isso, não deveria e nem poderia fazer-me repetir quatro vezes a frase, "Paris can wait". Oxalá! Nenhum sotaque, por mais carregado, consegue aniquilar frase tão simples!

Felicidade é algo muito interno mesmo, e nem precisa despontar.
Ela disse-me que não conversou comigo, dias atrás, na piscina do condomínio, porque eu parecia triste. Ela é a minha vizinha. Eu respondi que gostava de estar só. Depois, fiquei pensando: eu aparento ser triste?

Tenho dúvidas de Português, mas quando leio as pessoas, deixo-as para lá, as dúvidas e as pessoas.

Julho, 12

Eu sei fazer um mudo falar e uma pedra se mexer, mas saber não é sinônimo de querer.

domingo, 9 de julho de 2017


"A gente pode até fugir um tempo de algumas resoluções... mas de repente a vida decide que é hora de organizar, resolver, decidir, terminar, começar, continuar... e lá estamos nós, nos encontrando com velhas situações e descobrindo que éramos capazes, mesmo quando só havia dúvida... De caixa em caixa, de parágrafo em parágrafo, de surto em surto, de conta em conta, vamos organizando muito mais que simples situações, vamos delineando o rumo de um futuro merecido e estocando coragem pra não perder mais de vista..."

Michelle Felippe

sábado, 8 de julho de 2017

Lugar que está preenchido não precisa ser ocupado.




Livro caudaloso, assim como os rios, dá margens infinitas, é rio eterno, que seca nunca. Na estante, é para desfrute e aprendizado, talvez, ali, a gente entenda muita coisa das nossas vidas, e podemos então nos perdoar e livrar a nós e aos outros. Meu Deus! Vidas fluindo, profecias, ah, verdades camufladas e muitas covardias!

Amor; amor, sim! Sentas aqui bem perto de mim, deixa eu lhe dizer, tu tens o coração doente, doente.

Esqueces o mapa! Esqueces o livro do gato e do rato. Só há um caminho e tu sabes qual é. 

Ninguém mais te dará um livro para ler, já lido, nem eu.


Julho, mês lindo, 8!

quinta-feira, 6 de julho de 2017


"Eu olhei em templos, igrejas e mesquitas. 
Mas eu achei o Divino dentro do meu coração." Rumi​

(Publicado em 1 de julho de 2017, Aqui.)

"Para você que se foi, com todo meu carinho​.
Deixa-me deitar a seu lado, por este breve instante
meu coração está pequenino, talvez, você, com todo o seu tamanho, possa fazê-lo um pouco melhor e maior
Estou levemente acamada, apesar de não parecer - dói a alma, dói alguma coisa dentro e as lágrimas descem (eu as segurei, saiba)
Não será assim, sempre noite
Hoje, antes do escurecer, as aves que tanto amo passaram em bandos de três, apressadas, seguiam do sul para o norte... relembravam-me liberdade...
Eu pensava em você.

Saiba, my dear, se eu tivesse mais asas, eu as teria lhe dado, naqueles dias e noites e madrugadas de pesadelos...
Saiba que eu jamais sequer pensei nessa oferenda,
mas, se eu tivesse mais vida, mais uma só, eu a teria dado, de todo meu coração, com amor, para você. 

Ainda estou em luto. Meu mundo escureceu, a mim restou aquele olhar de súplica...
Por duzentos e setenta dias, ou mais ou menos, caminhei por você em silenciosa súplica, recordando seu olhar para mim.

Não desenho corações na areia da praia, não sei levantar multidões, grupos de reza, não consigo convocar uma especial reunião, não sei e não posso levantar fundos, não sei como se faz, não sei nada, quisera eu deter todas as chaves do mundo, entender todos os enigmas...

Espero não incomodá-lo, estou de partida, vou me despedir, espera só mais um pouco, deixa eu chorar um pouco mais... a gente perdeu, nós perdemos, eu não consegui. Você é mais uma das minhas derrotas... depois, um dia, volta e me diz, por favor, diz que eu venci, diz que eu consegui, diz que eu o ajudei.

Serena e descansa. Acorda mais tarde. Lembra do beijo que deixo em sua testa, fechando seus olhos com e por amor...

Dorme, darling, dorme, hoje todas as línguas são uma só." 



Suzana Guimarães


(Texto publicado originalmente Aqui.)

Aglutino-me


Comparei-me a uma lagartixa, branca, demorada e concreta, de tão pesada. Impossível conter a tristeza. Entretanto, a força vai se refazendo, nos detalhes. Quando a gente vê, muita coisa já se ajeitou em outra, e a tristeza se ajeita também, em conformação. A morte obriga a visitar o terreno do consolo... 'pelo menos isso, pelo menos aquilo'. Eu poderia recusar, mas é como ele me disse, "Pode ser lagartixa, mas não se esqueça de que ela tem poderes de regeneração."

Por volta das sete horas, a noite anuncia-se e leva-me à varanda, nela eu renasço. A rotina das aves perto de mim e os barulhos dos homens ao longe são os mesmos, porém outros porque já não sou mais a mesma.


Julho, 6

sábado, 1 de julho de 2017


Eu jamais dispensaria a riqueza, riqueza mesmo, aquele monte de dinheiro. Ricos têm problemas, claro, mas não passam raiva. Eles não se irritam porque eles podem fazer de outro jeito. Então, é claro, eu gostaria de ser rica, mas não serei, escrevendo. Escrevo por impulso e muita gente leva-me a sério até quando não é para levar; e eu rio. Se fosse antigamente (adoro essa palavra!), eu choraria de raiva ou de mágoa. Então (adoro essa palavra também!), eu posso, de forma clara e precisa - sem melindres, sem timidez, posso lhe dizer que não tenho palavras para você, em especial. Não multiplica o que eu já escrevi por nada porque eu escrevo por escrever. Claro, não sou uma monstra nas coisas do amor e da amizade, mas o que foi lançado público não é privado, é público, é de todos e de qualquer um. A escrita, amor, é promíscua.
Amo a língua portuguesa. Amo as palavras e as rimas que são até naturais, não faço esforço por elas.
Amo abrir meu coração; sentimental. Perceba, amo ponto e vírgula!
Assim sendo, tenho consciência de tudo sobre a minha escrita e a minha vida, sei que a riqueza não virá dessas palavras que lanço, e, por isso, sequer peço a Deus. Muito menos ainda, peço aos homens e às mulheres.
Assim sendo, repito, eu não esqueço ninguém, mas isso não significa - mesmo eu lançando palavras públicas - que eu tenha palavras para você, em especial. Se as tivesse, elas estariam longe dos olhos dos curiosos e dos meus fãs.
Sim! Eu tenho fãs e você aí se enquadra. A casa é sua! Puxa a cadeira e senta; toma uma dose de aguardente, ah, esqueci, você não bebe.


Julho, 1