Fotografia, Suzana Guimarães

sábado, 27 de setembro de 2014

dois dias para 29 de setembro


(imagem por Suzana Guimarães)



Daqui a dois dias, minha irmã faz aniversário; daqui a dois dias, fará um ano que meu pai faleceu. Hoje, uma pessoa me enviou um vídeo... ouço a música agora, assim como ouvi naquela solitária noite em que embarquei de volta para cá, para a minha casa, após o sepultamento do meu pai. Após 13 dias da sua morte, eu peguei o primeiro avião bastante anestesiada por duas doses grandes de vodka com lima e uma tequila. Só assim para dizer "até logo" para a minha mãe, no aeroporto de Belo Horizonte... No segundo voo, saí de todo aquele torpor e liguei a tv, assisti ao clipe do Michael Bublé, "Close Your Eyes". Quantas vezes? Cem vez cem. Não sei. Eu chorava de fazer dó, totalmente descontrolada. Só ali eu pude sentir minha orfandade, sozinha, voltando para casa cheia de lembranças... Assisto ao clipe não para sofrer, não por masoquismo... assisto porque foi o presente que ganhei da força maior que detém o mundo nas mãos, única, soberana; aquela que lhe dá flores ou ferpas por onde você passa. Assim ficou, nesse clipe, resumida a minha história e seu desfecho com meu pai.


Setembro, 27


http://www.youtube.com/watch?v=LoEWmc60wJY

(Último texto de minha autoria que compartilho na íntegra no Facebook)

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Nunca se olhe profundamente em um espelho e nem dê as costas a ele.
Suzana Guimarães



quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Nada que no tatame não se libere... há um feitiço nele, luta árdua entre a mente e o corpo, onde saem dois vencedores.

Setembro, 18

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Era setembro...

Pelo meio da madrugada, ele acalmava e dormia. Eu então espiava a rua por um palmo de mão que ficava aberta a janela de correr. Via a igreja na parte mais alta do bairro de Santa Teresa. Via a noite. Como ela deve ser vista. Como tudo tem que ser visto, vendo. Transpondo o que se mostra no primeiro enxergar. As noites são lindas! E, por isso, eu escrevia, porque havia lindeza em mim. Havia lindeza em passar horas e horas acordada, cuidando dele. Naqueles dias, ali era o melhor lugar para se estar, dentro daquele hospital. E eu sabia disso, apesar do cansaço e da dúvida. Sinto saudades, muitas. Ele me chamava, "Menina, menina...". Eu respondia, "Não diga menina, diga Suzana, foi você quem me deu esse nome" e ria. Quando chegava bem perto e olhava-o, ele não tinha muito a dizer, ele só queria saber. Vivíamos.


Por Suzana Guimarães

domingo, 14 de setembro de 2014

Sobre textos mal escritos, mal redigidos e amplamente apreciados como magníficos:



"É por isso que eu gosto da Engenharia. Se fizer errado ou mal feito, toma choque, explode, pega fogo, desmorona ou morre. Se quem fizer sobreviver, nunca mais fará errado." Por Roberto Meneghini


O mundo exato. 


Setembro, 14

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Sobre setembro, meu pai e eu.



(Fotografia de Ana Luisa Bhering - Belo Horizonte - Brasil)


Gosto de maio e de setembro pelos céus sempre claros, pelos ventos, pelo chamado de sempre, "venha, Suzana, venha" e eu vou. Entretanto, por mais que eu me esquive, sinto setembro dia após dia; conto um por um, vivendo para trás - e eu resisto a isso e muito! - mas, é bem mais que a força universal, é interno. Processo de digerir aquilo que passou. E eu gosto desta dor porque é minha, por direito. Tento fazer setembro diferente todos os dias e todos os dias, ele é o mesmo. No final, estou arrasada pela derrota. Dezembro era o seu mês, o do meu pai, agora, setembro também. Meu pai deixou algo claro para mim - como esses meses - , o que transbordava nele, carece em mim. 



Setembro, 12


Eu disse que gostava de diários?

quinta-feira, 4 de setembro de 2014


AS ANTAS E EU - Lição do dia: burro será você que não aprende a se esquivar dos outros burros.


Sei que as ruas são muito estreitas e são de mão-dupla. As ruas próximas às escolas dos meus filhos. Então, na primeira, não entro porque os motoristas que passam lá me fazem lembrar dos folgados do Brasil. Daí, na avenida, entro na próxima à direita. Eu sei, estou cansada de saber, eles não sabem dirigir, além dos folgados acima citados. Entro na rua, e anta 1 está fazendo baliza. Estou um carro e meio para dentro da rua, para fora da avenida. Anta 1 erra quatro vezes e eu paro de contar. Chega anta 2, anta 2 não tem visão além e aproxima-se ao máximo de anta 1; e de mim. Atrás de anta 2, vem anta 3. Atrás de mim, um cara que eu imaginei rapidamente, "será a anta 4". Saio do carro, assim que anta 1 consegue estacionar. Eu já havia feito sinal para anta 2, para sair da reta, ela tinha espaço para trás, bastava avisar anta 3. Mas, anta 2 não entende sinais. Peço ao cara de trás para voltar para a avenida (não é nenhuma Avenida Paulista ou Avenida Amazonas). Ele pergunta: "Você quer que eu jogue o carro para a avenida? (essa não é a melhor tradução)". Eu respondo: "Cheguei primeiro e ela não se mexe. Ela está parada, ela não quer sair dali". Ele então prova: não é anta e vai embora. Eu vou atrás. Antes e durante, devo dizer, olhei para anta 2 e apontei para ela, depois para a minha cabeça, depois, com a outra mão, fiz sinal negativo". Ou melhor, você não tem cabeça, cérebro, mente, enfim, você não pensa. Imagino a minha cara... ah, eu imagino. Mas, anta 2 não entende sinais. E anta 1? Onde foi parar anta 1? Por que anta 1 não saiu do carro em momento algum? Bom, deixa pra lá! Entro na próxima à direita, de novo. O cara que seria anta está à minha frente. Ele encosta para alguém passar e um outro alguém fazer baliza. Contudo, após isso, ele fica parado, olhando para o retrovisor, fazendo sinal negativo com a cabeça e sorrindo de leve. Estico o pescoço, nada à vista. Sim, outra anta, um pouco menos, um pouco mais, não sei... o que pensar sobre cabeças de antas? Olho para trás, dou seta e viro o carro, na esquina, de volta para a avenida, ao melhor estilo "motorista brasileiro", sinto muito aos demais. Resultado: a maior anta sou eu. Falei no carro para o meu filho, "Anta, anta, anta, sou anta". Nunca mais passo por lá; isso pode ser transmissível.


Setembro, 4
Pra não dizer que não falei dos podres...

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Hipocrisia é uma bebida que rejeito desde sempre, desde muito antes de ontem, desde antes do meu nascimento. Carrego tantos pecados e defeitos, mas beber dessa bebida amarga, eu não bebo. Até o cheiro que vem, ao longe, causa-me náuseas. Não cedo, não compactuo, não sorrio junto.

Setembro, 2