Fotografia, Suzana Guimarães

domingo, 20 de agosto de 2017


O jiu jitsu deu-me cotovelos e joelhos escuros de tanto que foram ralados... engrossou meu pescoço e meu tórax. Tirou o jeito delicado que eu tinha ao me levantar do chão, da cama, de qualquer lugar. Mas, principalmente, ele me deu uma calma absurda em determinados momentos difíceis e segurança para caminhar em lugares desertos porque eu aprendi que na hora do sinal - que no tatame é a frase "shake your hands " (cumprimentem-se) -, na hora em que em mim passa um fino frio, na hora escura ou quase, eu condicionei-me a reagir externa e internamente como se eu estivesse pronta. 

Eu disse, "Como se eu estivesse pronta "...

Agosto, 18-20

sexta-feira, 18 de agosto de 2017


Eu não gosto de gente com discurso pronto por vários motivos, e o principal deles é que detesto ouvir charanga de sempre. Eu gosto de novidades.


Agosto, dezoito.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017


Setembro bate à porta e eu o espero desde março, como se espera um amante; pronta.

Agosto, 16

terça-feira, 15 de agosto de 2017



Um dia que amanheceu em suspenso, duas horas antes do alarme tocar.

Meu amor está longe de mim. É muito chão, é muito ar, é muita solidão. Distância palpável, pois meu coração parece oscilar. Tenho medo de respirar profundo tenho medo de respirar pequeno tenho um mundo de medo. Todos os olhos assaltam-me porque meu amor está longe de mim. Evito. Não penso. Desvio a rota. Sou alma suspensa... esperando meu amor voltar.
Meu amor está longe de mim e eu sou só até ele regressar. Não conto o tempo. Não conto aos outros. Embalo-o. Guardo-o. Sou os olhos do mundo, sou todos os caminhos. Sou a sombra para ele poder passar. E voltar.


Agosto, 15.

sábado, 12 de agosto de 2017


Raras são as ocasiões em que, num confronto entre um homem e uma mulher, eu não tenderei a favor da mulher. 

Agosto, 12 - Amanhã, uma menina completará dez anos. Amém.

domingo, 6 de agosto de 2017



A gente tem que aceitar os amigos, o que nem sempre significa entender... 
principalmente no mundo virtual.

sábado, 5 de agosto de 2017

O que machuca é o susto


Ele deveria ter parado o carro, ali mesmo, e xingado-me, bastante, mas ninguém tem coragem de xingar-me, nem ele, que não tem medo de nada.
Meu consolo é escrever.

É óbvio que ele me viu, parada no semáforo, a primeira da fila, meu carro totalmente à esquerda na avenida e ele estava esperando do outro lado o momento de fazer uma conversão à esquerda dele, também. Conversão que os brasileiros demoram a entender e aceitar como normal... ele tinha os olhos fixos para passar, claro que me viu. Eu vi o carro dele, também branco, passando, eu só vi porque ele passou ao meu lado, eu tinha um semáforo para esperar, ele, não. Tenho certeza de que era ele! Meu coração ficou pequenininho porque eu sei, ele me odeia. Às vezes, eu faço merda, eu sei, eu fiz.
E a vida se vai... água escorrendo.


Agosto, 8, à tarde.

Determinada hora é sua. 
Determinado também meu pensamento...
É quando eu paro e espero o dia se apagar em delicada noite. 
Embora todas as tristezas, embora aquela dor, é o meu melhor momento, algo em torno de trinta minutos, todos os dias, a vida se cala, se há vida, sou eu, aqui, esse espetáculo e os pássaros em seu céu.
Acredito que não há mais noites onde você está e de onde pode me ver. 
Acredito que um dia você enviará um sinal. Aguardo-o. 
Guardo-o nessa hora, na mesma música, em todos os voos.

Saiba, aqui estou.

Agosto, 5​

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Primeiro de agosto


Madrugo em seu dia, aguardo-o. Poucos dias em um ano são importantes para mim. Hoje é dia azul, hoje tem o seu olhar nesta maresia que envolve-me. Conto sua vida como se contasse a minha, quase idênticos, dois sonhadores. Amor, meus sonhos são seus. Amanhã, seremos afortunados! 

Encosta seu rosto em meu ombro... ainda podemos estar assim... solitários e harmoniosos. Em silêncio, às vezes bastante estabanados, mas constantes! Repetimos o movimento... encosta em mim, escuta, a gente se repete porque a gente se tem.

Agosto, primeiro.