Fotografia, Suzana Guimarães

terça-feira, 17 de outubro de 2017


Eu protejo o que me dói. Porque é meu, e em mim o bem e o mal andam pela mesma estrada; a morte é extensão da vida, o próximo instante, sem circo, sem picadeiro, corre solta assim como a vida, nada demais! Morrer é dar o próximo passo. Tão absurdamente natural e ainda assusta e faz medo. Em mim, assusta a vida, o futuro mais incerto ainda de quem ficou e vive.

Eu protejo também o meu amor, cada um deles e o meu próprio. Amo-me! Sou o resultado de muitas forças que se moveram por mim. Faço honra a isso!

Renego todos os conceitos pois nunca me alegraram. Prefiro a singeleza da distração, nela finjo a vida, a morte, a dor e o amor. 

Outubro, 17

Mas hoje eu não a alcanço, a distração. Nem qualquer conceito. A folha da árvore que cai e eu somos o mesmo: momento ausente de passado e futuro. Matéria que se basta em seus limites.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017


Ele é médico e ficou surpreso por eu tolerar dor. Tenho resistência; aguento. Não sou assim porque sou forte, sou assim porque já senti muita dor e entendi muitas coisas sobre ela. Não se deve chorar, abre mais ainda os vasos sanguíneos, esquenta o corpo, faz o corpo trabalhar mais do que já está precisando...aceitá-la não ajuda em nada porque o fato de pensar nisso faz doer mais ainda. É preciso abstrair, fazer mente mole, corpo morto, igual fazem os animais, quando machucados, exilam-se em si mesmos. 

​Ele comentou: "E até ri...".

Outubro, 10

Em 2017, algumas vezes, fiquei maravilhada, mas, não irei negar ou fingir que não percebi que o caminho é corda bamba e os céus muito baixos, sufocantes.
Outubro, 11

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

sábado, 7 de outubro de 2017


I don't forget, I don't forget, I don't forget, I don't forget, I don't forget...

sexta-feira, 29 de setembro de 2017


Já pensei em escrever para o meu pai, após a sua morte. Escrevo tanto, tantas cartas, para mim, para os outros, para quem nem conheço, escrevo para qualquer um, mas não consigo escrever para ele. Hoje, faz quatro anos que ele partiu e meu texto é uma página em branco.
Ele dizia sempre, na rotina de nossas vidas, principalmente na hora das refeições, "Xinga, Suzana, xinga, fala, você é uma Guimarães...", mas, não consigo, vê como mudei, pai? Não consigo.


Setembro, 29.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017


Feliz por perceber que não conheço as pessoas, que não as entendo. O pouco que faço já é bastante nocivo a mim. A tragédia humana deve ser conhecer o outro em sua plenitude. Melhor as beiradas, o pouco adentrar.


Setembro, 28

De algumas coisas, a gente se livra. Livrei-me da falta de educação e consideração dos torcedores de futebol brasileiros que buzinam, gritam e soltam foguetes a noite toda, em total desrespeito com quem está doente, é de idade, com quem não torce para time nenhum, com quem está enfermo em um hospital, com quem precisa dormir porque acorda cedo, incluindo também os cães. Nessas horas eu falo "bem feito", vocês, torcedores sem um pingo de cidadania, merecem os governos que têm.
Graças a Deus, livrei-me.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

​Aproveitei as recusas da vida para apreciar meus ganhos.


​Aproveitei as recusas da vida para apreciar meus ganhos.
Não houve muito tempo para mim, ou melhor, houve, mas eu sou de ânsias e vontades, sou de criações, e, por isso, estive mergulhada, criando dois filhos, fazendo e desfazendo amor e vivenciando meus endereços. 

Tenho tempo agora para olhar as coisas e as pessoas que passam... eu tinha o meu, para ser precisa, era o nada, ocorria sempre que eu escapava, claro, eu escapava, mas isso sempre foi esporádico. Sei abstrair o olhar e soltar-me desse mundo de estares e fazeres.

Mas agora posso experimentar, da forma mais primitiva possível, como se degustasse um alimento bom. Vejo coisas e pessoas, principalmente as coisas, vendo. Comprei uma torta de frango após um dia com agenda cheia. Essa compra foi um brinde, já que eu estava muito cansada para ainda passar em um supermercado. Em casa, todos a receberam com brilho nos olhos; e, coincidentemente era dia de comemoração. Hoje, mais cedo, uma mulher segurou a porta do elevador para mim - e eu nem estava fazendo questão -, falou palavras boas, traduzidas em bom dia, boa tarde, qual o seu andar e tenha um dia bom. 

Excelente! ​Deixei de lado o sonho dos grandes mergulhos. Fixo-me no momento presente dessa respiração, mesmo que imbuída de sonhos - descobri que eles foram meu oxigênio, minha salvação, então, sonho, mas sonho meio que acordada, parecendo aqueles cochilos de meio de tarde, quando não podemos de forma alguma puxar a coberta, o travesseiro e adormecer.
Não me pergunte nada sobre o futuro, o que é isso? Não me relembre o passado, hoje sou só amor para comigo mesma...

Errei mais que acertei. Acreditei muito, esse foi meu carrasco, esse jeito bobo de colocar fé e força no outro. Porém, não me arrependo, hoje, posso, calmamente observar a vida por sob o prisma de uma loja de cristais, tudo bastante lindo e desejável, mas nem tudo para mim. Descobrir que não posso realmente todas as coisas liberta-me. Posso uma coisa só, com certeza: sentar-me e deliciar-me com o sorvete que saboreio enquanto escorre pelas minhas mãos. ​

terça-feira, 26 de setembro de 2017


A gente deseja muitas coisas para as pessoas em seus aniversários. Penso que deveríamos desejar saúde e isso basta. Não há muita coisa sem ela.

Setembro, 26

Posso concordar ou discordar em partes e isso não significa ficar em cima do muro. Isso é moderação. Posso mudar de opinião e isso nunca será defeito de caráter; é ser flexível. Posso também ficar em cima do muro e isso se chama liberdade de expressão.
Setembro, 24

sábado, 23 de setembro de 2017

Dizem que é assim...


as 8 fases2
(desconheço autoria da imagem)


Provavelmente, você será avisado em sonhos.
Ninguém fará apresentações. Vocês se encontrarão por algum motivo banal.
Será um encontro diferente, casual, com felicidade instantânea, denominado "além oceano " porque são pessoas vindas de mundos distantes.
Ao se conhecerem, dispensarão palavras, um complementará a frase do outro. Um saberá do outro sem esforço. Não há disputa, conquista, segredos.
Irão se reconhecer na forma de um véu que se retira lentamente.
A sensação de já saber e conhecer é clara.
Provavelmente, o riso tomará conta. Satisfação por estarem frente a frente.
Não precisarão de justificativas e ardis.
A vontade será de nunca mais deixarem de se ver.
A atração física é um vulcão.
A alegria é pura.

Dizem que é assim.

terça-feira, 19 de setembro de 2017


Viva a sua vida com a simplicidade de Chico Xavier, e, então, nesse caso, venha a mim discursar sobre socialismo.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017


Tenho vida dupla: uma acontece quando deito, durmo e sonho; a outra, a real, acordada. O que me enlouquece é quando as duas se juntam. 

Setembro, 18

domingo, 17 de setembro de 2017


Detestam-me porque escrevo, porque me mudei para os Estados Unidos, porque não finjo o que não sou ou tenho, porque não me interesso mais, porque não interajo, porque não faço festa, porque não puxo o saco, porque sou particularmente feliz, forte e sei usar dinheiro. Detestam-me, mas vigiam-me. 

Eu só posso continuar rindo. Por isso, tanta coisa pública! Eu adoro ser detestada.

sábado, 16 de setembro de 2017

que eu não morra nos hospícios dos outros

Gente que eu mais atraio, os doidos e os estupidamente instáveis (paremos de denominar tudo de Bipolaridade, como sabiamente disse meu querido e saudoso Dr. J.). 

Não vou procurar explicações, como por exemplo, "Você se aproxima ou atrai seus semelhantes", porque detesto autoajuda, "Eu estou okay, e você também está okay?", e também porque dizem que os opostos se atraem... tese contrária. Não acredito nessas frases prontas, tiradas do suvaco, como diria a minha tia Eunice.
Talvez, como diz meu filho, "É porque você é tão bonitinha...", disso eu gosto! Bom, gosto de tudo que vem dele. É meu rei e ponto.
Então, a gente que eu mais atraio é essa, pancada da cabeça ou instável. Entretanto, posso ter os ternos, meu filho é um exemplo, os amáveis, doces, fofos, lindos de se conviver...

Ó, Deus, enche a minha terra de doces!

Amém.

Setembro ainda, e que eu não morra nos hospícios dos outros.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017


Já é sabido, tenho adoração por pianistas, desde quando não sei mensurar. Então, dói em mim com perplexidade... a pessoa tocava piano, hoje, carrega bloco de pedra.

Vão-se ingratos os dias... e o som.

Setembro, 15.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017


As pessoas têm tempo pra tudo... chocada ao ler meus amigos, chocada mais ainda porque percebo que, quanto mais o tempo passa, menos tempo eu tenho; vivo grudando esparadrapos com cuspe, às pressas, entre a garagem e a cozinha da minha casa.

Setembro, 13

segunda-feira, 11 de setembro de 2017



Ela viu rapadura no armário da minha cozinha. Eu não ofereci porque ela havia arrancado um dente. Ela pediu. Lançou, então, um pedaço à boca. Seus olhos eram duas bacias maranhenses...
Setembro, 11

​É claro que eu poderia contar, explicar, não seria difícil, falar a verdade é muito fácil, mas desisti há um certo tempo - coisa recente na minha vida - , desisti de contar, explicar... se eu não tenho certeza do interlocutor. E o que eu menos venho tendo são certezas... Daí, eu me diria que ninguém pode ser julgado com base nos comportamentos alheios... isso convence, mas não me atira àquela crença cega, isso, eu tinha crença cega porque deveria ser o caminho natural.

O que eu gostaria de contar, no passado, levaria-me à fogueira, em praça pública, hoje, não mais, mas leva à areia movediça da descrença do outro, que uma única coisa me dá, trabalho, e a certeza de que quem quiser saber vai dar um jeito para me encontrar, para perguntar.

​Tem encontro que a gente não agenda, ele se faz no tamanho da nossa vontade.​

Eu nunca disse que gostava de diários, mas eu sempre disse que gostava de mágica...

O que vejo hoje, vi, ontem.

domingo, 10 de setembro de 2017


Tu decides mudar
O externo te invade.
Um estranho conhecido bate à tua porta.

Todas as coisas te abrirão
Mesmo estando só.


Eu fiquei sozinha porque eu quis. Não precisei buscar lugares distantes, exóticos, templos, a casa dos amigos, o retorno ao passado... Teve planejamento, direção e muita força de vontade em cima disso. Decidi ficar sozinha porque eu tinha inúmeras opções e nenhuma. Na solidão, não preciso escolher, uso-me, gasto-me ou deixo-me à deriva, frágil embarcação que não capota. Não tomba porque eu decidi ficar sozinha...

Meu sonho de consumo é ter um vizinho musicista - preferência, piano. A minha tia, professora de música/piano, perguntou-me, certa vez: "Para ter aula ou para ouvir?".

Para ouvir.

Setembro doce, 9-10

sexta-feira, 8 de setembro de 2017


“vinte flores amarelas num jardim que não existe para enfeitar a mesa do jantar.”


 Bebo e como bombons do Brasil.

Eu entendo o meu amor, todos eles, desde sempre. Não entendo muitas coisas e, como dizia meu pai, "Nem quero entender", mas sempre entendi meu amor. Provavelmente, minha glória e desgraça. Meu amor é óbvio, deixo-o claro; é urgente, não temos a eternidade! Meu amor é quase para sempre; sou antiquada; meu amor é respiração boca a boca, nas emergências da rotina, do cansaço e dor. Eu não entendo o amor que os outros me dão. É só isso! Eu não quero o amor que pensam me ofertar, enganando-nos.


Setembro, 8

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

You do not know the word. The word is "Saudade".



Você não conhece a palavra, chama-se Saudade.

Setembro, 7

Ele ria e eu ria porque ele ria.

Setembro, 7

Após sete anos de amizade, a gente se falou ao telefone por duas horas e meia. Eu não conhecia a voz dele, apesar de saber bastante sobre o todo mais... A gente se permitiu. Ele disse, " A gente se devia isso". Foi mágico! Somos felizes mesmo que forçosamente porque a gente se permite. Dar-se traz felicidade; economizar-se traz somente arrependimento ou uma vida de mentiras.


Setembro, 7

Eu não entendo o amor dos outros.


Setembro, hoje.

Ela digitava rápido no WhatsApp e eu ria muito de certas coisas que ela escrevia. Uma conversa rica em todos os sentidos. Reli inúmeras vezes. Ela contou-me muitas histórias e uma totalmente linda. As pessoas contam-me histórias. Eu sou uma criatura abençoada por isso, carrego tesouros alheios.


Setembro, primeira semana.

Via WhatsApp, um amigo enviou-me o hino . Eu o ouvi totalmente paralisada, e sempre foi assim, talvez, um pouco mais agora, talvez de forma angustiante. Eu deixei o país, mas ele nunca saiu de mim. Nasci brasileira, morrerei brasileira. A vida boa é a vida que optamos sem olhar para trás. O preço é pago em silêncio.
Setembro, 7 

sábado, 2 de setembro de 2017


A minha filha perguntou-me: "As mães gritam com seus filhos quando eles esquecem as coisas. Por que você não grita?".
"Porque eu também esqueço coisas", respondi.
Setembro, 2

sexta-feira, 1 de setembro de 2017


Há exatamente um ano, um carro bateu no meu, deu perda total, meu carro vermelho se foi... Hoje, um carro do mesmo estilo, vermelho, também, veio para cima do meu. O motorista perdeu o controle do volante. Eu sabia que ele estava ao celular. Eu vi. Apertei a mão na buzina por longo tempo. O motorista se posicionou à minha frente, ia também virar à esquerda. Enquanto íamos para o semáforo, ele mostrou insistentemente seu celular para mim, pelo retrovisor.

Eu não ia fazer mais nada mesmo, mas vê-lo, ingenuamente, mostrando-me a razão daquilo tudo deixou-me mole. Inacreditável a sua conduta. Qualquer outro teria escondido o celular. Era uma justificativa. Com certeza, se tivesse batido, ele teria descido do carro, gritando "minha culpa", e apontado para o celular.

Eu ainda acredito no ser humano.

Setembro, lindo, 1.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

domingo, 27 de agosto de 2017


Então, aquilo que era apenas um sonho se posta diante de mim, e, pobre de mim, passo os meus dias desacreditando da realidade, voltando ao sonho, na doce ilusão de que eu invento coisas, sou doente da cabeça... e que, buscando a lembrança - agora, mera recordação -, eu poderei sossegar-me.

O sonho é uma fotografia congelada que não lhe toca e aperta os dedos...


Agosto

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

"Do not upgrade!" or "Do not update".


Ele me disse, "Do not upgrade!". 

De imediato, senti a força da língua e, talvez, de uma cultura. Toda língua tem suas peculiaridades, eu sei, mas sempre é um assombro diante de muitas.

"Do not upgrade". "Não atualize". E eu ri, satisfeita.

Ele disse para mim e por mim o que eu diria, as bobagens de sempre, o eterno comportamento satisfatório: "Não respondi, não dei corda, não continuei o papo, não lhe dei ouvidos...".

"Do not upgrade" é bem mais, mas é resposta curta, fecha a questão, logo eu, tão ultimamente afoita por movimentos rápidos e certeiros...

"Não atualize", eu entendo, para ele, significa, não resgate o passado, não deixe o outro saber que você está interessada ou não no assunto, não faça um movimento que dará oportunidade de dizer como você vai, como você está... simplesmente, ele não merece nenhuma de suas atenções.


Agosto, 18 - 22


(Nota: "Do not upgrade" é quase o mesmo que "Do not update". Ambos significam atualização, e atualizar algo nem sempre é para melhor. Quando for para melhor é "upgrade". Na maioria dos casos, qualquer informação a mais não deixa de ser um "upgrade" para o "umbigo"do egocêntrico)





Eu parecia uma bucha, na adolescência, absorvendo as informações dos outros. Eu não pedia nada, mas sempre as tinha. Quase tudo foi desprezado no nascedouro, embora eu ainda me lembre de quase todas. Uma delas foi, "É a primeira vez que você tira as cutículas, evite molhar as mãos para que a pele não arda, porque vai arder!". Há fórmulas inteligentes para tudo, e, por isso, eu não entendo por que as pessoas são na maioria das vezes, infelizes.

"Cabelo branco em mulher é feio", essa, eu acreditei, e, também, inventei uma, "Cabelo longo após a casa dos trinta é feio".

Se arde ou não, se dói, se é feio... importa? Eu quero é ser feliz, tenho vocação para isso. 

Posso dizer que errei. Cabelo longo ficou bem em mim, na casa dos cinquenta. O que convém a nós é matéria de âmbito pessoal. 

Eu não sei se as pessoas das regras as usam. Eu evitei ao máximo todas as teorias. Eu ardi muito mais que na minha primeira vez na manicure por toda a minha vida... e poucos estavam por perto para dar algum alívio... 

Agosto, 24


domingo, 20 de agosto de 2017


O jiu jitsu deu-me cotovelos e joelhos escuros de tanto que foram ralados... engrossou meu pescoço e meu tórax. Tirou o jeito delicado que eu tinha ao me levantar do chão, da cama, de qualquer lugar. Mas, principalmente, ele me deu uma calma absurda em determinados momentos difíceis e segurança para caminhar em lugares desertos porque eu aprendi que na hora do sinal - que no tatame é a frase "shake your hands " (cumprimentem-se) -, na hora em que em mim passa um fino frio, na hora escura ou quase, eu condicionei-me a reagir externa e internamente como se eu estivesse pronta. 

Eu disse, "Como se eu estivesse pronta "...

Agosto, 18-20

sexta-feira, 18 de agosto de 2017


Eu não gosto de gente com discurso pronto por vários motivos, e o principal deles é que detesto ouvir charanga de sempre. Eu gosto de novidades.


Agosto, dezoito.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017


Setembro bate à porta e eu o espero desde março, como se espera um amante; pronta.

Agosto, 16

terça-feira, 15 de agosto de 2017



Um dia que amanheceu em suspenso, duas horas antes do alarme tocar.

Meu amor está longe de mim. É muito chão, é muito ar, é muita solidão. Distância palpável, pois meu coração parece oscilar. Tenho medo de respirar profundo tenho medo de respirar pequeno tenho um mundo de medo. Todos os olhos assaltam-me porque meu amor está longe de mim. Evito. Não penso. Desvio a rota. Sou alma suspensa... esperando meu amor voltar.
Meu amor está longe de mim e eu sou só até ele regressar. Não conto o tempo. Não conto aos outros. Embalo-o. Guardo-o. Sou os olhos do mundo, sou todos os caminhos. Sou a sombra para ele poder passar. E voltar.


Agosto, 15.

sábado, 12 de agosto de 2017


Raras são as ocasiões em que, num confronto entre um homem e uma mulher, eu não tenderei a favor da mulher. 

Agosto, 12 - Amanhã, uma menina completará dez anos. Amém.

domingo, 6 de agosto de 2017



A gente tem que aceitar os amigos, o que nem sempre significa entender... 
principalmente no mundo virtual.

sábado, 5 de agosto de 2017

O que machuca é o susto


Ele deveria ter parado o carro, ali mesmo, e xingado-me, bastante, mas ninguém tem coragem de xingar-me, nem ele, que não tem medo de nada.
Meu consolo é escrever.

É óbvio que ele me viu, parada no semáforo, a primeira da fila, meu carro totalmente à esquerda na avenida e ele estava esperando do outro lado o momento de fazer uma conversão à esquerda dele, também. Conversão que os brasileiros demoram a entender e aceitar como normal... ele tinha os olhos fixos para passar, claro que me viu. Eu vi o carro dele, também branco, passando, eu só vi porque ele passou ao meu lado, eu tinha um semáforo para esperar, ele, não. Tenho certeza de que era ele! Meu coração ficou pequenininho porque eu sei, ele me odeia. Às vezes, eu faço merda, eu sei, eu fiz.
E a vida se vai... água escorrendo.


Agosto, 8, à tarde.

Determinada hora é sua. 
Determinado também meu pensamento...
É quando eu paro e espero o dia se apagar em delicada noite. 
Embora todas as tristezas, embora aquela dor, é o meu melhor momento, algo em torno de trinta minutos, todos os dias, a vida se cala, se há vida, sou eu, aqui, esse espetáculo e os pássaros em seu céu.
Acredito que não há mais noites onde você está e de onde pode me ver. 
Acredito que um dia você enviará um sinal. Aguardo-o. 
Guardo-o nessa hora, na mesma música, em todos os voos.

Saiba, aqui estou.

Agosto, 5​

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Primeiro de agosto


Madrugo em seu dia, aguardo-o. Poucos dias em um ano são importantes para mim. Hoje é dia azul, hoje tem o seu olhar nesta maresia que envolve-me. Conto sua vida como se contasse a minha, quase idênticos, dois sonhadores. Amor, meus sonhos são seus. Amanhã, seremos afortunados! 

Encosta seu rosto em meu ombro... ainda podemos estar assim... solitários e harmoniosos. Em silêncio, às vezes bastante estabanados, mas constantes! Repetimos o movimento... encosta em mim, escuta, a gente se repete porque a gente se tem.

Agosto, primeiro.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Amor é um só. Muda só o adjetivo.





Você foi tropeçando e me jogando ao chão. Você não sabe o tanto que eu aprendi! Você não sabe, mas estava ensinando-me. Absorvi. Hoje, abro seus lábios delicadamente e derramo neles tudo o que você ofertou-me. Agora é a sua vez de aprender...

Não reclama. Aprenda. 



Ele disse que eu escrevo despreocupadamente...
Sim, escrevo! Isso foi lindo! Esse acerto. 
Basta-me a convivência humana... não reclamo da vida, ela é ótima; quem estraga tudo são os humanos.

Junho, 28

P.S.: Não sou humana, sou assumidamente um alienígena perdido.

Os rios correm para o mar. 
Nas margens há favas e ervilhas...
Mas favas e ervilhas não são apreciadas.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Para aquele que para, o sem graça.


Existia a figura "Segura vela", que era a pessoa que ficava perto do casal de namorados ou para vigiar, a pedido dos pais de um deles ou de ambos, ou por inocência mesmo.

Eu nunca me importei com o "Segurador de vela". O que incomodou-me sempre foi o "Empata foda", e não me refiro ao sujeito que atrapalha o namoro do casal; mas, sim, àquele que, ao perceber que o outro está se divertindo, concordando, aceitando, achando graça, ou mesmo, quase gozando, para. 

Para. Simplesmente para. É o sem graça.



Existe grande diferença entre ser seguro de si e decidido. As pessoas me dizem que sou bastante segura de mim, não, não sou. Tenho dúvidas, inúmeras. Acordo, muitas vezes, com os joelhos no rosto tamanha a ansiedade... o que eu sou é decidida e corajosa. Uma vez decidido, eu sigo em frente, com medo ou sem.

Julho, 19

domingo, 16 de julho de 2017


Por causa do tênis de marca famosa, da Disney... por causa das coisas que não teve, que não podia ter, acontece o ditado, "Quem nunca comeu melado, quando come se lambuza". 

Por causa da televisão que foi furtada, uma fortaleza é erguida...

Por causa de uma perda, trezentas são descartadas e choradas...

Por conta de uma pequena aventura que não viveu por que não se permitiu...
Nunca mais volta para casa.

Julho, 16

sábado, 15 de julho de 2017


Tem gente que desperdiça a vida; tem gente que a economiza. Penso que estou sempre no meio-termo. Isso soa enfadonho a mim mesma, mas meu mundo pessoal já é tão enigmaticamente incontrolável que eu me basto, eu me canso; eu me canso do absoluto em mim. 

Julho, 15

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Já perdi pessoas que eu adorava por coisas bobas, e, principalmente, por causa de terceiros - que eu detestava, ignorava a existência deles ou sequer os conhecia. Às vezes, por culpa minha, às vezes, não, e em algumas raras situações, por conta de nossos gênios ruins ou por insanidade mesmo. Temos o hábito de perder as estribeiras com os mais íntimos porque é o caminho mais lógico e natural... Já perdi pessoas que eu adorava, e, provavelmente, ainda gosto, de forma irretratável. Não adianta o comentário de que quando é de verdade, o amor é para sempre. Já vi e vivi caminhos sem volta, mão única em direção ao infinito. A gente lembra, mas não volta, e não é por rancor ou ingratidão; é porque a relação tornou-se, além de amorosa, nociva e desrespeitosa. Ficou maculada.

É por isso que hoje eu me contenho. Conto até dez, saio de perto, não respondo, faço vista grossa, deixo pra lá. É porque eu já perdi muito e não quero perder mais. O amor é poderoso, cabe bastante, se dá mais ainda, é a casa da mãe amorosa onde sempre cabe mais um, mas nem sempre teremos duplicações; pessoas são induplicáveis.

Não perderei quem eu gosto por causa de terceiros, principalmente, não perderei por causa de futebol e política. Não perderei mais ninguém. Quem quiser, que me perca.

Julho, 13

quarta-feira, 12 de julho de 2017


Todas elas me entendem, mesmo se eu falar errado. A maioria deles, não! Meu filho disse, "Você os perturba."

Ah, se esses soubessem... eu os odeio porque eles não podem ajudar.

O papo morreu no nascedouro; melou! O vizinho é americano nato, e, por isso, não deveria e nem poderia fazer-me repetir quatro vezes a frase, "Paris can wait". Oxalá! Nenhum sotaque, por mais carregado, consegue aniquilar frase tão simples!

Felicidade é algo muito interno mesmo, e nem precisa despontar.
Ela disse-me que não conversou comigo, dias atrás, na piscina do condomínio, porque eu parecia triste. Ela é a minha vizinha. Eu respondi que gostava de estar só. Depois, fiquei pensando: eu aparento ser triste?

Tenho dúvidas de Português, mas quando leio as pessoas, deixo-as para lá, as dúvidas e as pessoas.

Julho, 12