Suzana Guimarães Lily, by LRGM

sábado, 31 de dezembro de 2016

Dário Banas escreveu que 2016 tem vinte anos. Verdade. Mas, apesar das muitas desgraças ocorridas no ano dos macacos, eu fui feliz, de janeiro a dezembro. E, quando eu não fui feliz, fui forte como nunca antes. Aprendi a viver sob pressão e a manter o controle. Passei o zíper, lacrei o que antes eram tentativas constantes. Alcancei um certo nirvana. Visei o foco, o fim. 
Certos anos se eternizam...


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Água apaga fogo, mas fogo não apaga água.

Então, respira e concentra.

Seja água.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Estranhos voos...

(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)



Insisto, minha mãe, 2016 ainda não acabou. Poucos anos ficarão em minha memória igual a ele, poucos gritaram tão baixo e silenciaram-se tão alto...




Novembro, 29

sábado, 29 de outubro de 2016


Li algo mais ou menos assim, "Não se iluda, você não é mais a mesma pessoa de um ano atrás."

Outubro, 29

Para ele

Como eu era boazinha. Fingia não ver, respondia prontamente, doava atenção. Para os burros (que me perdoem os de quatro pernas, e que de burros nada têm), cheguei a desenhar inúmeras vezes. 

Em meu vasto mundo cabia muitos.

Mundo esse que continua amplo feito os céus, mas onde eu aprendi, ele ensinou-me, "Vou mostrar quem é que manda". 

Ele libertou-me muito antes de olhar nos meus olhos. E eu, hoje, liberto-o todos os dias. Mostro-lhe os ventos, as paisagens onde, para se caminhar, é necessário entender de desenhos.


Eu disse que gostava de diários?

Outubro, 29

terça-feira, 18 de outubro de 2016


Fala coisas pequenas para mim, pois as grandes sufocaram-me em eterna oração.

Outubro, 18

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Eu aprendi a me despedir. Espero que você também aprenda. 

​Não peço que se despeça do óbvio, mas sim de qualquer riso que tenha gozado; de toda lágrima que tenha escapulido, da sensação de cumplicidade e do iludido eternamente que vem nas palavras e nas carências, embutido, intrínseco. Eternamente é muito, longa palavra, longa realidade.
​ Peço que esqueça a ira e o desequilíbrio, o excesso e por ventura, alguma escassez.

Eu aprendi a me despedir, mas não aprendi ainda e nem quero aprender a cegar a minha visão e a fechar a grande janela aberta, de onde assisto ao mundo, apoiada em meus próprios cotovelos...

e sei que todas as coisas nos falam muito mais que os homens e suas matracas abertas; o pássaro que sobrevoa as torres dos edifícios; as árvores e as nuvens... até a florzinha que ninguém vê e arrebenta o solo diz-me segredos e transmite-me força. Eu aspiro os ventos como se fossem alimentos e descubro as falas ocultas.

Eu aprendi a me despedir do bom e do mau por imposição de ser...

E eu sou e sendo, sinto. 

Só não aprenda a se despedir se puder abarcar-me genuína e alegremente

quando então nem todos os ventos poderiam supor.



Nunca foram diários...​ outubro, 13.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Detalhes tão pequenos de nós...


Para ele, parece que a vida é eterna. Para mim, ela é breve. Para mim, cem anos é utopia; para ele, ilusão é um dia. ​

​Para eles, dar likes no Facebook é o mesmo que falar ao telefone. Para mim, nem o telefone basta.

Para ele, comentar algum texto é carinho; para mim, é apenas comentar, digitar, escrever, abstrair, qualquer coisa, menos amizade ou amor.

Para ela, amizade é estar na lista dos seguidores. Para mim, isso é o mesmo que nada.

Para elas, dizer as vogais significa dar o alfabeto todo; para mim, é troca social.

Para ela, responder é quando quer. Para mim, é educação, gentileza e atenção devida.

Sou um E.T., fui abduzida logo que a Suzana nasceu e morreu em sua primeira hora de vida. 


​Este mundo não é o meu.​



Outubro, 6



https://www.youtube.com/watch?v=i3AtRBlRQ-I

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Meu pai foi nadador de rio. Eu cresci ouvindo-o dizer sobre os perigos de um rio... meu Deus, como podem pular assim tão inocentemente nas águas de um rio? Chocada com esta morte do Domingos Montagner.

Setembro, 15

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Eu pareço boazinha, mas no fundo sou a vaca no pasto.

2016, ano lindo!

sábado, 20 de agosto de 2016

A vitória tem gosto doce.
Como é bom, como é divino ser brasileira! A gente tem verve, tem sangue quente, a gente morre e renasce em um minuto. Que me desculpem todos os outros, mas apenas sendo pode-se saber o quanto é maravilhoso ser do Brasil!

Agosto, 20

segunda-feira, 15 de agosto de 2016


Quero amigos baratos, amizades que não me custam toneladas de paciência, tolerância e, principalmente, que não exijam de mim o que não posso dar. Cansei dos muito caros, que parecem reis. Cansei dos que só enxergam suas próprias necessidades. Quero amigos baratos, que estejam comigo por muito e por pouco; que me convidem para somente olhar um para o outro porque isso basta.

Eu disse que gostava de diários?

domingo, 14 de agosto de 2016

Nunca tive ídolos e heróis... sou muito exigente para isso... chata mesmo! Entretanto, descobri, ontem, o que era óbvio, mas eu não via - tenho um herói. Ah, maravilha!

Agosto, 13
Quando a pessoa está viva e você pensa nela, tudo em volta está habitado. Quando ela morre, o habitado passa a ser um vácuo ou um espaço de única cor, e a sensação é de dor. 

Dói alguma coisa dentro e pendura uma lágrima.


Dia dos pais, 2016.
Aqui em casa, nós temos uma frase diária: "Ah, você não quer? Que bom, sobra mais para mim!".
Sobra mais para mim: comida, bebida e tempo.

sábado, 13 de agosto de 2016

R. é das áreas exatas. Eu sempre exagerada, nas humanas... R. tem frases curtas, de duas ou três palavras. R. gosta de sujeito, verbo e algum objeto - direto ou indireto, quase dispensável. R. é sucinto e parece rude pois é instantâneo; suas respostas são precisas e até proféticas. Eu vivo a me perder em tantas sentenças... se todos fossem iguais a mim ou iguais a R. o mundo seria muito estranho, mais ainda do que é. Talvez, chato. Um mundo chato. R., quando escuta, antecipa, chuta a frase, interrompendo-o, interrompendo-me, isso irrita, mas depois eu rio...

Agosto, 2016

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Vou ser avó aos 40!



(Vívian Magalhães e Amanda - arquivo pessoal)


Montes Claros, pseudoinverno norte mineiro de 2016.


Querida Suzana,

Vou ser avó! Aos 40! Minha Amanda vai ser mamãe!

Tá, eu não disse nem olá... mas é que a ansiedade é muita, pra contar.
É bem isso, quase virando a página pra vida nova que os 40 traz, recebo a boa notícia de que vou ser avó.
Um monte de coisa vem, a vontade de viajar o mundo e conhecer vários lugares e pessoas... a vontade de mimar e estar junto e o coração aperta. Aperta porque o tempo é coisa incerta... ser humano é nada e o medo de morrer antes do pequeno ou pequena nascer bate às vezes... vai que o coração pifa... nesta confusão toda também aparece a força pra estar aqui firme pra daqui 15 anos dizer minha neta... meu neto, faça as malas... nós vamos pra Disney! Vai ser o máximo! Ou pra Turquia... ou pro Tibet... que na verdade vai acabar sendo a mesma farra...não importa muito pra onde vamos.

Além de ser avó... outras coisas me assustam... mas nem vale a pena falar...
Eu consigo intuir que vai ficar tudo bem... vejo você e isso me diz que é possível estar firme... ter sonhos... Então venho também falar de gratidão... obrigada por estar aí e ser você, moça que gosta de diários.

Fico feliz também pelas pessoas que você trouxe como a Márcia e a Vivian.

É bom saber que gente com a mesma vibe acaba se ligando. Bendita internet.

Acho que é isso... 

Vou ser avó... e tô com um tiquim de medo dos 40 apesar de ter certeza que vai ser do cara leo. =P


Com muito carinho,

Vívian



P.S.: acho que não vai dar pra ser uma avó de bolos e sobremesas, Suzana... mas quero muito ser uma avó de tatame, de trilha de Jeep e tardes na varanda com chá e biscoitinhos (da melhor padaria) ouvindo Pink Floyd.


(Nota: uma carta de Vívian Magalhães para mim)

terça-feira, 26 de julho de 2016


Dois advogados conversando é algo hilário, se não fosse trágico. Ou, triste. Ainda mais se forem pessoas inteligentes. Não há palavras de baixo calão, mas os recados são dados, e, diga-se bem dados, lavados e enxugados.

Eu só tenho pena dos cegos que sabem enxergar, mas não querem... Certas unanimidades não são burras.

Eu disse que gostava de diários?


Julho, 26

domingo, 24 de julho de 2016

Não gostar de alguém não significa necessariamente guardar rancor. Por que confundir mágoa com falta de gostar? Gostar ou não de alguém é livre.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Entre um ponto e outro, estamos nós.

(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


Quem alcança a liberdade sou eu, quando o universo conspira e eu quero e desvendo os fatos e as pessoas como devem ser, desvendadas. Mas, com certeza, quem entrega a chave é o outro. A chave da prisão onde eu me enfiei por vontade própria.

Faço luto por alguns mortos, muitos, mas na verdade o luto deveria ser pelos vivos.

quinta-feira, 7 de julho de 2016


2016 é realmente o Ano do Macaco. Aquele que foi reservado para mim está a pular de galho em galho, de árvore em árvore, rindo muito, está a puxar para baixo máscaras, levantando as saias e calças de muitos, fazendo uma bagunça que eu nunca vi. Está espetacular, esse ano! Uma festa boa, daquelas que não nos deixam com vontade de sair. E esse macaco também borda lindos arranjos e me mostra inúmeras belezas. Amém para esse ano!

Eu disse que gostava de diários?

sete do sete de dois mil e dezesseis

sexta-feira, 24 de junho de 2016

A notícia de toda morte natural súbita quando ainda se é jovem abala as minhas estruturas tão duramente fortificadas cotidianamente.

Junho, 24

quinta-feira, 23 de junho de 2016

A arrumação da casa ficou melhor que a faxina.



2016 nem chegou em seu sétimo mês - o meu - e já agradeço-o. Que venham outros semelhantes!

A arrumação da casa ficou melhor que a faxina.

domingo, 29 de maio de 2016


Começa seus relacionamentos da forma que era quando você era criança, tateando no escuro, devagarinho, aos poucos, sem despejar no outro, toda a sua existência. Você nem pensava nisso, não é? No que já havia vivido... De preferência, resista ao máximo a esse impulso, que não atrai ninguém, apenas repele.

domingo, 22 de maio de 2016

Meu filho (16 anos) disse-me: "Em sete anos de Estados Unidos, eu nunca precisei usar a frase, "The book is on the table".


Sobre estudar Inglês no Brasil.

domingo, 8 de maio de 2016


(por LRGM)


Ele me disse para eu parar de xeretar a vida alheia e cuidar da minha, mas eu quero o tempo todo cuidar da minha? Descanso fazendo engenharia social, outro nome, assim disseram-me anos atrás. Creio que essa definição seja a mais adequada, pois eu olho apenas o que está público e se assim está é porque a pessoa deseja a exposição; então, xeretar que é uma palavra feia não é cabível... Além da curiosidade no ser humano, nas águas profundas ou mesmo nas rasas, eu gosto de escrever e mais ainda de pensar. Sou quase uma máquina pensante e em muitas vezes adivinhatória. Existe algo melhor que juntar dois mais dois? Mas eu não me demoro. Isso eu prometi para mim mesma. Só demoro, o tempo que for, em mim mesma, lugar onde posso caminhar de forma livre.

As pessoas não são de todo confiáveis. As pessoas são pracinhas à noite onde podemos passear, mas atentas.

Eu disse que gostava de diários?

Maio, 8

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Por ser ébria...



(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)



Rancor, eu não guardo. Leonino é esquentado, estoura facilmente, mas tem o coração mole. Porém, esse coração mole, uma vez magoado, está magoado e ponto. E eu descobri que deitar na mágoa, bebê-la, sorvê-la, encharcar-me dela é bem melhor que ficar fazendo cara de sóbria. Cansada de sobriedades. As idades dos meus filhos me impedem de envelhecer, mas que a vida seja pelo menos excitante. Um quê de imprevisão cai muito bem em mim, graças a Deus. Um quê de 'melhor rasgar o mapa porque não há mais mapas'.


Eu disse que gostava de diários? Eu nunca disse.
Maio, 5

terça-feira, 3 de maio de 2016

Suzana Guimarães shared a memory.
Just now
Coisa mais linda que escrevi há um ano! Obrigada, Mr. Face!

sábado, 30 de abril de 2016

Sou boba. Tenho pena dos homens doces que não são devidamente amados - mas correm atrás. Faz dó. As mulheres se garantem muito mais. Homem mal amado chega a feder, vira um bicho, se descuida totalmente. Mulher faz justamente o contrário, sobe no salto e fica.


Vamos consertar isso! Tenho dó, não! Trouxa merece sofrer mesmo! Pior ainda é trouxa que gosta do tecido dos mais vistosos. Paga o preço, então. Não há mais lugar neste mundo para adultos inocentes. Não sei dizer se feliz ou infelizmente.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Eu seria extremamente feliz se não tivesse que falar em Inglês. Se um dia eu voltar para o Brasil é por causa da língua. Ficarei dois anos consecutivos aqui. Vou explodir. Ouço as músicas em Inglês, mas penso o tempo todo em Português e até faço frases longas, mentalmente, enormes monólogos em Português. Nem o Inglês tão lindo dos meus filhos salva-me.

Abril, 29

domingo, 24 de abril de 2016

Sobre chão de verdade



(por Suzana Guimarães - via celular)

Saudade daquela viagem, das estradas, do pó, da chuva, das inúmeras brigas; do caminho, do que eu sentia, do que eu esperava, do que encontrei. Saudade daquele povo estranho de olhar desconfiado que me lembrou o meu próprio, encravado naquelas montanhas daquela terra também úmida; saudade da moça teimosa do GPS, dos hotéis, da falta de sentido sobre o que é tempo além do exigido pelo sono e pela fome. Pelo cansaço. Saudade de ser minha por horas, por dias. Saudade de contravencionar. Saudade do momento exato em que torno-me um ser único, independente, sem pai, nem mãe, sem passado e presente, que acontece a partir da vigésima hora.

Não tenho pena dos andarilhos. Tenho dó é dos enraizados! 

É assim quando se pega a rota pela terra. 



Abril, 2016

sábado, 23 de abril de 2016

Eu não fotografo. Eu escrevo. As imagens que faço e compartilho são obras de amadora assumida. Não me dou créditos e títulos que não possuo. Fotografo por impulso e, por impulso, publico fotos muitas vezes sem retoques, naturais, eu sem retocar o batom, eu sem batom, minhas olheiras e eu. Publico também fotografias que fiz sem sequer abaixar o vidro do carro. 

Mas, eu escrevo, não é? E sou boa dona da palavra. Sei manipulá-la, sei usá-la, como se jogasse cartas em uma mesa de pôquer (meu pai era ótimo nessa mesa!). 
Pois, eu escrevo, e, quando escrevo, quem me acompanha sabe, há de tudo, do belíssimo ao feio, há o mal, a tristeza, dor e choro; mas também há sedução. Há prazer, riso, amor, ternura. Tesão. Eu não finjo a vida.


O fato é: cada um faz o que quer. Contudo, na prova dos olhos e dos sentires dos outros, muita gente leva bomba.


Eu disse que gostava de diários?
Não, eu nunca disse.
23, Abril.

domingo, 17 de abril de 2016

Post scriptum

(Suzana C. Guimarães)


O que dói em mim é tudo aquilo que eu não entendi. Se eu tivesse entendido, haveria brisa, ventos mansos, calmaria.
Haveria passos na calçada. E o mundo permaneceria o mesmo.
A falta de entendimento do que está acontecendo empurra-me para o vazio dos loucos.

Suzana Guimarães

quarta-feira, 13 de abril de 2016

De certas pessoas, devemos sair às pressas. Nada de arrumar malas, checar o óleo do carro, ajeitar o cabelo, retocar o batom. Desaconselhável, inclusive, dizer adeus.

Voltei com aqueles diários.

Fumegando em mim, a mágoa. Um córrego. Um rio. Um mar. Nada faz passar.

suzana guimaraes 

Cuidado com a força e a persistência de seus pedidos, pois eles podem vir a acontecer. Você pode estar despreparado para eles, embora tenha pedido.

domingo, 10 de abril de 2016

On the road...

(por Suzana Guimarães)



O melhor lugar do mundo para se estar é na estrada.