Suzana Guimarães Lily, by LRGM

quinta-feira, 20 de março de 2014

Você fala "brasileiro"?



As pessoas perguntam para o meu filho: "Do you speak Brazilian?"

Ele responde: "Yes, I do. I speak Brazilian and American". 


Março, 20



Meu professor de hipismo dizia: "Não tenha medo. Do chão, não passa." Chega um tempo em que o chão torna-se macio; dele, você realmente não passa, e, sequer sente a queda. E, se por acaso sentir, levanta e anda. O chão é o limite. Após, só um caminho, o pó, mas essa é outra história. Estou falando dos vivos.

Março, 20
Estou tão feliz! Minha filha às vezes pergunta sobre o meu livro e eu sinto nela, extremo orgulho. Respondi, "O livro tem setenta textos. Eu poderia ter dez livros pois tenho setecentos textos". Ela arregalou os olhos: "Seven hundred?"


Março, 19
Algo que nunca comentei, nem em "Dolores Crônicas, em minha cidade, eles fazem propaganda política assim: as pessoas pregam nos jardins de suas casas algumas tabuletas com os nomes dos candidatos. Parece que a casa está à venda ou algo parecido. Certa vez, vi uma casa com uma placa. Pensei que estivesse à venda. Outro dia, vi uma casa com várias placas, daí coloquei os neurônios para trabalhar... e entendi. Tão clean!

Março, 19.




quarta-feira, 19 de março de 2014


Ele disse: "Eu gosto de você do meu jeito".
Ela pensou: "Eu também, de você".

E viveram felizes para sempre...

Março, 19



Eu disse que gostava de diários? Não, eu nunca disse...

terça-feira, 18 de março de 2014


Dos terremotos pelos quais passei, o de hoje foi o mais longo. O primeiro, em 2009, foi curto, mas fez um barulho de caminhões se trombando na rua. Tudo dentro de casa chacoalhou. Tenho Labirintite, tive enjoo... O que aconteceria em seguida? Contudo, não tive medo. Não tenho medo das coisas de Deus. Tenho medo das coisas dos homens.

Março, 17

Diários....

domingo, 16 de março de 2014

Outro dia, recebi um e-mail. Li tanto sentimento que mal conseguia fazer a leitura. Minutos depois, fui para a rua, para o mercado, para a vida no chão concreto. Quando voltei para casa, reli esse e-mail. Era o mesmo, menos eu. O fato, vestido de olhos e pele, mudou as vestimentas, revelou-me a verdade. O tanto de sentimento que saltava aos olhos era meu, apenas meu.

Março, 2014
Meu professor de Fonética inglesa pediu que lêssemos um recado, daqueles que deixamos gravados na secretária eletrônica. Primeiro, na língua de cada um, depois, em Inglês. A minha turma pediu para eu reler o meu recado de tão extasiada que ficou. Eles disseram, "It is wonderful!".

Março, 16 

Eu disse que gostava de diários?




Eu deveria estar estudando, mas estou aqui, no facebook, nesta pracinha, correios céleres, como se assistisse à tv, ou estivesse sentada numa cadeira, feito a minha avó, na calçada, em frente à casa, vendo as pessoas passarem, o vento, e sentindo a cabeça queimando em pensamentos... bom, não tenho certeza sobre essa última frase, só imagino.




quarta-feira, 5 de março de 2014

As pessoas não sabem gostar das outras. Elas gostam pobremente. 


... ofertam pão duro e mofado. Esperam sempre manjar como retorno.


Março, 5





Nota:

Eu interpreto as pessoas por várias vias: pela caligrafia (o meu primeiro método encontrado), pelo sapato que calça, pela decoração da casa, pelo jeito com que trata carro e armário, pelo jeito que lida com subalternos, pelas unhas dos pés e das mãos e pelos "likes" que dão no Facebook. Ah, no passado, eu interpretava pelo olhar, mas descobri que se trata de um método falho.

Março, 5

Eu disse que gostava de diários?

segunda-feira, 3 de março de 2014

Em minhas longas cartas mentais, eu sempre tinha o destinatário, silêncioso rapaz, moça ou velho, que era obrigado a ouvir sem dizer um só "a". Depois, passei a digitar esses textos - para dizer a verdade, nem sempre cartas. Não sou tão maluca. Eu não pensava: "Belo Horizonte, 3 de março de 2003. Querido ou querida, escrevo-lhe... e, por fim, um abraço, Suzana". Agora, digito para mim mesma. Estou tentando falar sozinha. Está sendo um desafio! É muito difícil. Mas, tenho todo o tempo do mundo, e aguardo esta sensação de morte que se instalou passar. 


Sinto-me morta. Um hiato, a falha nos dentes da minha filha. Sinto-me silêncio de doer, um buquê de rosas abandonado em alguma esquina, que já não diz nada - nem o arranjo, nem a esquina; uma caixa toda ornamentada, só de enfeite. Uma voz calada, com lenço e éter, para anestesiar de vez. Sinto-me aquele silêncio que nos toma quando andamos sozinhos, à noite, por ruas desertas... O mundo todo calou a boca e ninguém me contou, daí, fiquei sem graça quando me vi falando sozinha, por isso, a mudez.

Mas, o monólogo sairá, no final do ano.

Eu disse que gostava de diários?

Março, 3

ASSIM QUE A PROCURA ACABOU, EU MORRI

Suzana Guimarães - arquivo pessoal

sábado, 1 de março de 2014

UNO

Um beijo, que seja apenas um; um olhar, que seja uma única vez. Um livro. Não importa. Importa o tempo que viverá: e se for para sempre? Diamantes são para sempre - alguém cantou... Mas, antes era só pedra. Porém, alguém se empenhou. Um beijo, um dia, um breve instante, emoção mesmo que rasteira, o que importa é o que possui valor em seu peso.

Março, 1