Fotografia, Suzana Guimarães

terça-feira, 17 de outubro de 2017


Eu protejo o que me dói. Porque é meu, e em mim o bem e o mal andam pela mesma estrada; a morte é extensão da vida, o próximo instante, sem circo, sem picadeiro, corre solta assim como a vida, nada demais! Morrer é dar o próximo passo. Tão absurdamente natural e ainda assusta e faz medo. Em mim, assusta a vida, o futuro mais incerto ainda de quem ficou e vive.

Eu protejo também o meu amor, cada um deles e o meu próprio. Amo-me! Sou o resultado de muitas forças que se moveram por mim. Faço honra a isso!

Renego todos os conceitos pois nunca me alegraram. Prefiro a singeleza da distração, nela finjo a vida, a morte, a dor e o amor. 

Outubro, 17

Mas hoje eu não a alcanço, a distração. Nem qualquer conceito. A folha da árvore que cai e eu somos o mesmo: momento ausente de passado e futuro. Matéria que se basta em seus limites.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017


Ele é médico e ficou surpreso por eu tolerar dor. Tenho resistência; aguento. Não sou assim porque sou forte, sou assim porque já senti muita dor e entendi muitas coisas sobre ela. Não se deve chorar, abre mais ainda os vasos sanguíneos, esquenta o corpo, faz o corpo trabalhar mais do que já está precisando...aceitá-la não ajuda em nada porque o fato de pensar nisso faz doer mais ainda. É preciso abstrair, fazer mente mole, corpo morto, igual fazem os animais, quando machucados, exilam-se em si mesmos. 

​Ele comentou: "E até ri...".

Outubro, 10

Em 2017, algumas vezes, fiquei maravilhada, mas, não irei negar ou fingir que não percebi que o caminho é corda bamba e os céus muito baixos, sufocantes.
Outubro, 11

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

sábado, 7 de outubro de 2017


I don't forget, I don't forget, I don't forget, I don't forget, I don't forget...

sexta-feira, 29 de setembro de 2017


Já pensei em escrever para o meu pai, após a sua morte. Escrevo tanto, tantas cartas, para mim, para os outros, para quem nem conheço, escrevo para qualquer um, mas não consigo escrever para ele. Hoje, faz quatro anos que ele partiu e meu texto é uma página em branco.
Ele dizia sempre, na rotina de nossas vidas, principalmente na hora das refeições, "Xinga, Suzana, xinga, fala, você é uma Guimarães...", mas, não consigo, vê como mudei, pai? Não consigo.


Setembro, 29.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017


Feliz por perceber que não conheço as pessoas, que não as entendo. O pouco que faço já é bastante nocivo a mim. A tragédia humana deve ser conhecer o outro em sua plenitude. Melhor as beiradas, o pouco adentrar.


Setembro, 28

De algumas coisas, a gente se livra. Livrei-me da falta de educação e consideração dos torcedores de futebol brasileiros que buzinam, gritam e soltam foguetes a noite toda, em total desrespeito com quem está doente, é de idade, com quem não torce para time nenhum, com quem está enfermo em um hospital, com quem precisa dormir porque acorda cedo, incluindo também os cães. Nessas horas eu falo "bem feito", vocês, torcedores sem um pingo de cidadania, merecem os governos que têm.
Graças a Deus, livrei-me.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

​Aproveitei as recusas da vida para apreciar meus ganhos.


​Aproveitei as recusas da vida para apreciar meus ganhos.
Não houve muito tempo para mim, ou melhor, houve, mas eu sou de ânsias e vontades, sou de criações, e, por isso, estive mergulhada, criando dois filhos, fazendo e desfazendo amor e vivenciando meus endereços. 

Tenho tempo agora para olhar as coisas e as pessoas que passam... eu tinha o meu, para ser precisa, era o nada, ocorria sempre que eu escapava, claro, eu escapava, mas isso sempre foi esporádico. Sei abstrair o olhar e soltar-me desse mundo de estares e fazeres.

Mas agora posso experimentar, da forma mais primitiva possível, como se degustasse um alimento bom. Vejo coisas e pessoas, principalmente as coisas, vendo. Comprei uma torta de frango após um dia com agenda cheia. Essa compra foi um brinde, já que eu estava muito cansada para ainda passar em um supermercado. Em casa, todos a receberam com brilho nos olhos; e, coincidentemente era dia de comemoração. Hoje, mais cedo, uma mulher segurou a porta do elevador para mim - e eu nem estava fazendo questão -, falou palavras boas, traduzidas em bom dia, boa tarde, qual o seu andar e tenha um dia bom. 

Excelente! ​Deixei de lado o sonho dos grandes mergulhos. Fixo-me no momento presente dessa respiração, mesmo que imbuída de sonhos - descobri que eles foram meu oxigênio, minha salvação, então, sonho, mas sonho meio que acordada, parecendo aqueles cochilos de meio de tarde, quando não podemos de forma alguma puxar a coberta, o travesseiro e adormecer.
Não me pergunte nada sobre o futuro, o que é isso? Não me relembre o passado, hoje sou só amor para comigo mesma...

Errei mais que acertei. Acreditei muito, esse foi meu carrasco, esse jeito bobo de colocar fé e força no outro. Porém, não me arrependo, hoje, posso, calmamente observar a vida por sob o prisma de uma loja de cristais, tudo bastante lindo e desejável, mas nem tudo para mim. Descobrir que não posso realmente todas as coisas liberta-me. Posso uma coisa só, com certeza: sentar-me e deliciar-me com o sorvete que saboreio enquanto escorre pelas minhas mãos. ​

terça-feira, 26 de setembro de 2017


A gente deseja muitas coisas para as pessoas em seus aniversários. Penso que deveríamos desejar saúde e isso basta. Não há muita coisa sem ela.

Setembro, 26

Posso concordar ou discordar em partes e isso não significa ficar em cima do muro. Isso é moderação. Posso mudar de opinião e isso nunca será defeito de caráter; é ser flexível. Posso também ficar em cima do muro e isso se chama liberdade de expressão.
Setembro, 24