Fotografia, Suzana Guimarães

quarta-feira, 31 de maio de 2017


Então foi assim: janeiro, fevereiro, março, abril, tempestade.
Como será junho?

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Sinto-me feliz! Enfim, ele virou gente. Posso dizer, um belo homem, completo. Perdeu aquele jeito falso, destruiu aquele cabelo engomado, tirou os óculos de sol, deu a cara para bater... virou humano, posso sentir além das entrelinhas, muito além da fotografia... embora o olhar, talvez não o olhar, mas um quê de tristeza, está encontrado. 

Olho para ele e calo-me. Eu respeito machucados expostos. Eu o respeito agora muito mais que antes. 

Sinto-me feliz e sou cúmplice sim!

Maio que se esgota...

Ainda sobre mudança: a minha amiga Chris disse que, ao mudarmos, descobrimos coisas importantes. Isso é verdade. Então, sair do "status quo" é a chance de muitos resgates!
A curiosidade que tenho é saber a razão de comprarmos tantos "tapes" para contusões, bloqueadores solares e cabides. Temos também inúmeros óculos para natação. Enchi quatro potes transparentes (ficou muito lindo!) com miniaturas de xampus, cremes e afins dados nos hotéis. Isso me alegra e mantém intacto meu apego... viajar é sempre muito bom! 

Ainda sobre falta de desprendimento, não consigo jogar fora quimonos de jiu jitsu já muito remendados e biquínis brasileiros.

Ao mudarmos, adentramos aquele misterioso armário em Nárnia.

Maio, 29 - insone

Eu não sabia que o barulho era tanto, eu não percebia as nódoas no chão, muito menos fixei meu olhar na porta vizinha. Eu não sabia mesmo que o barulho era tanto. Isso é algo mágico escuro.

Hoje não durmo, mantenho-me na vigília, tornei-me estática em minha cama, diante da noite desnuda, a contemplar o nada; ah, vivo as noites e as manhãs em extâse, olhando o silêncio.

Sim! Ultrapassei a capacidade de ouvi-lo, o silêncio, agora, se você visse agora, nesta madrugada linda, estou eu olhando o silêncio. 

Eu não sabia que o barulho era tanto!

Sete anos de ciclos que se fecharam. Sete anos na ignorância, apesar do desejo contido e contínuo de quebrar a tranca da porta.

Meu Deus, Minha Menina, eu não sabia do barulho intenso...

domingo, 28 de maio de 2017


"Tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, 
um sufoco, uma sede, um peso, 
ah não me venha com essas histórias de atraiçoamos-todos
-os-nossos-ideais, eu nunca tive porra de ideal nenhum, 
eu só queria era salvar a minha, veja só que coisa mais individualista elitista capitalista, 
eu só queria era ser feliz, cara,(...)
Já li tudo, cara, já tentei macrobiótica psicanálise drogas acupuntura suicídio ioga dança natação cooper astrologia 
patins marxismo candomblé boate gay ecologia, 
sobrou só esse nó no peito, agora faço o quê?(...)
claro que deve haver alguma espécie de dignidade nisso tudo, 
a questão é onde, não nesta cidade escura, 
não neste planeta podre e pobre, dentro de mim? (...)
mas não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, 
tem coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé nenhuma? Ah, passa devagar a tua mão na minha cabeça,
toca meu coração com teus dedos frios, 
eu tive tanto amor um dia..."

Caio Fernando Abreu

sábado, 27 de maio de 2017

terça-feira, 23 de maio de 2017


Escuta, abri um livro e li: "Engano pensar que o viajante queria ouvir. Ele queria apenas falar, mas você não deixou". 

segunda-feira, 22 de maio de 2017


Continuo sentindo saudade do que não tive. Impossível me livrar do que nunca aconteceu. Doloroso desejar o que não existe. A vida é bonita quando estou na rede e ela balança e vejo o contraste do verde no azul e do vermelho que se veste de rosa e morre. Há um som constante de pássaros. Eu não sabia que eles cantavam à noite, jurava que eram sempre silenciosos ao escurecer. A vida é bonita assim, sem pessoas morando em cima da minha cabeça. Hoje, eu tenho apenas o céu e sou feliz. Não fecho cortinas. Acordo com as manhãs e sou feliz. Sentir falta do desconhecido é o chá da tarde em minha vida. Eu não gosto de chás.

Você poderia desviar de mim seu toque... invisível, mas que insiste.

Maio, 22

domingo, 21 de maio de 2017

A mudança em si, apesar da exaustão, é suportável. O difícil é arranjar o velho dentro do novo. É chato perceber que guardamos com todo o zelo e cuidado o que não nos interessa ou não nos seja muito útil. Do que gostamos, cuidamos, mas sem preciosismo - isso é muito bom -, mas por que não o contrário ou o desapego para o que realmente não queremos? A gente não seleciona e por consequência acumula porque o mais fácil é um caminho sedutor e apreciamos coisas fáceis, apesar de negarmos. 

Percebo que qualquer mudança é igual.   

Maio, 21

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Infelizmente, nem sempre, um mais um são dois.

2017 é o ano liquidificador: estou a me chacoalhar dentro dele desde que ele chegou. 
Não pedirei a Deus para puxar a tomada, entretanto.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

(...)


Eu não tenho nada para lhe dizer, nem uma só palavra! E nem a quero ter. Todas as palavras lançadas por ambos foram um triste desarranjo, um buquê, buquê de rosas, flores, ramos e espinhos, mas arranjo mal ajeitado por nossas mãos, infelizes mãos!

Não fechei portas (eu nunca consegui!), mas tudo é caminho árido, desértico... outro dia, estive em um. A palavra deserto só é bela na escrita, não, não que o deserto seja feio, ele é belo, mas não é doce como a poesia queria que fosse, e nem é fácil. O deserto é dono de si e é impiedoso. Naquele caminho, onde estive, eu percebi que há passagens que não nos levam a lugar algum. Só nos dão cansaço e sede. Muita sede. A falta da água é sempre dor.

segunda-feira, 1 de maio de 2017


"Sou todos os cantos em que seu machucado irá bater"... Hoje, eu sou o próprio machucado. 

Maio, 1