Suzana Guimarães Lily, by LRGM

segunda-feira, 22 de maio de 2017


Continuo sentindo saudade do que não tive. Impossível me livrar do que nunca aconteceu. Doloroso desejar o que não existe. A vida é bonita quando estou na rede e ela balança e vejo o contraste do verde no azul e do vermelho que se veste de rosa e morre. Há um som constante de pássaros. Eu não sabia que eles cantavam à noite, jurava que eram sempre silenciosos ao escurecer. A vida é bonita assim, sem pessoas morando em cima da minha cabeça. Hoje, eu tenho apenas o céu e sou feliz. Não fecho cortinas. Acordo com as manhãs e sou feliz. Sentir falta do desconhecido é o chá da tarde em minha vida. Eu não gosto de chás.

Você poderia desviar de mim seu toque... invisível, mas que insiste.

Maio, 22

domingo, 21 de maio de 2017

A mudança em si, apesar da exaustão, é suportável. O difícil é arranjar o velho dentro do novo. É chato perceber que guardamos com todo o zelo e cuidado o que não nos interessa ou não nos seja muito útil. Do que gostamos, cuidamos, mas sem preciosismo - isso é muito bom -, mas por que não o contrário ou o desapego para o que realmente não queremos? A gente não seleciona e por consequência acumula porque o mais fácil é um caminho sedutor e apreciamos coisas fáceis, apesar de negarmos. 

Percebo que qualquer mudança é igual.   

Maio, 21

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Infelizmente, nem sempre, um mais um são dois.

2017 é o ano liquidificador: estou a me chacoalhar dentro dele desde que ele chegou. 
Não pedirei a Deus para puxar a tomada, entretanto.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

(...)


Eu não tenho nada para lhe dizer, nem uma só palavra! E nem a quero ter. Todas as palavras lançadas por ambos foram um triste desarranjo, um buquê, buquê de rosas, flores, ramos e espinhos, mas arranjo mal ajeitado por nossas mãos, infelizes mãos!

Não fechei portas (eu nunca consegui!), mas tudo é caminho árido, desértico... outro dia, estive em um. A palavra deserto só é bela na escrita, não, não que o deserto seja feio, ele é belo, mas não é doce como a poesia queria que fosse, e nem é fácil. O deserto é dono de si e é impiedoso. Naquele caminho, onde estive, eu percebi que há passagens que não nos levam a lugar algum. Só nos dão cansaço e sede. Muita sede. A falta da água é sempre dor.

segunda-feira, 1 de maio de 2017


"Sou todos os cantos em que seu machucado irá bater"... Hoje, eu sou o próprio machucado. 

Maio, 1