Fotografia, Suzana Guimarães

quarta-feira, 28 de maio de 2014

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Kit Suzana na madrugada...


Ah, como eu entendo Florbela Espanca! Sei o que ela procurava, pelo que ardia e escrevia, sei de sua tortura e de sua persistência - loucura medida!

Eu disse que gostava de diários? 

May, 25




Sou agora a menina que se esconde na sombra do poste, da árvore, fugindo de todo aquele que pensar em me assustar. Não tenho medo da noite. Tenho medo do susto. 

May, 25




Dispenso aquela procura; dela, nada ganhei além de desbotado sonho de dias melhores. Não restou nem eu mesma. Tornei-me cética e cruel. Antes não ter procurado. 

May, 25




Não venha comigo. Não tenho mãos para pegá-lo. Eu as tenho ocupadas, escondendo meus olhos da crueza da vida e do singelo pensamento de que eu poderia encontrá-lo.

May, 25




A cada passo dado, um tapa na cara. Encontro-me tonta. Já não posso caminhar, já não posso procurar o que nunca existiu. Entrego-me ao pó deste deserto em que habito. Pelo menos ele me envolve, se abre em asas, em sincera acolhida.

May, 25

quinta-feira, 22 de maio de 2014

segunda-feira, 19 de maio de 2014

by Xi Pan

Tenho um corpo de 47 anos que passou por gravidezes, várias cirurgias e muitos sustos. Mas, eu já tive um corpo de 20, 30 anos... tenho pena de você que nunca teve um assim. 


Suzana Guimarães


domingo, 4 de maio de 2014

sobre meu pai...



(um presente de Rika Silva para mim)

As pessoas do meu convívio virtual pensam que eu tive um relacionamento feliz com o meu pai e, que, por isso, eu choro tanto a sua morte. Não. Eu não tive. Ele nunca soube ou quis me entender e eu não tive paciência ou serenidade para aceitá-lo. Só no final, bem no final... Ele morreu há sete meses apenas e parece que foi ontem ou foi há sete anos, setecentos tempos atrás... Também não choro porque não aceitei, eu aceitei a sua partida  pois o seu corpo já não podia mais viver em plenitude... mas, ó Deus, como dói a lembrança dele! Sua morte virou a minha vida de cabeça para baixo, sua morte fez uma varredura, uma devastação. Meu pai se foi e levou com ele o que eu pensava ser eliminado e também tudo e todos que eu jamais pensei eliminar do meu cotidiano. Eu nunca soube que ele era tão poderoso.

Vou postar uma das músicas que eu ouvia, enquanto eu digitava, ele, deitado em sua cama, em sua casa, olhava-me e sorria. Ele se lembrava dos tempos da sua máquina de escrever, o som fazia-lhe bem...

https://www.youtube.com/watch?v=WWJfsGoc6fw&feature=kp

Eu disse que gostava de diários? 

Maio, 5