Fotografia, Suzana Guimarães

domingo, 4 de junho de 2017


Já não suporto mais responder, quando a minha mãe pergunta como estou, "Cansada". Cansou-me isso, também. Então eu paro porque eu posso - todos nós podemos! Uma dose de caipirinha feita com cachaça brasileira ajuda. Parar é sempre bom. Só os loucos vivem sem interrupções; talvez, nem eles. Sentada no tempo, desisto até de mim, mesmo que seja só até à noite. Dei-me ao direito, ontem, de sentir-me o 'um' daquele jogo que meu tio-avô jogava, o "Resta Um". Restar, sobrar pode ser também sinônimo de vencer. Não combina comigo esse sentimento, mas sentir o que qualquer humano pode vir a sentir é magnânimo. Compartilhar, ser o outro, mesmo que brevemente. Parar. Repensar. Largar. Resgatar. Um dia, escreverei "perdoar ", eu ainda não faço isso. Perdão é coisa de Deus! Então, lentamente volto a mim mesma. Algumas pessoas pensam que eu escrevo para elas, inclusive já falaram-me isso às claras, mas eu escrevo para mim na forma mais egoísta possível e até quando pego a dor alheia e a sinto é por mim.

No ponto em que estou, sentada, na realidade, num tamborete na cozinha da minha casa, uma dose de aguardente é suficiente. Qualquer coisa, digo, qualquer coisa que possa vir a me conduzir a excesso, eu evito.

Respeito meu momento atual, agitado, incontrolável e cansativo, mas, hoje, agora, eu me dou ao direito de parar. Sou aquele jogo que meu tio-avô, o cara que me colocou no mundo, jogava. Sou a poderosa pedrinha vermelha, a que sobrou.

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