Fotografia, Suzana Guimarães

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Eu aprendi a me despedir. Espero que você também aprenda. 

​Não peço que se despeça do óbvio, mas sim de qualquer riso que tenha gozado; de toda lágrima que tenha escapulido, da sensação de cumplicidade e do iludido eternamente que vem nas palavras e nas carências, embutido, intrínseco. Eternamente é muito, longa palavra, longa realidade.
​ Peço que esqueça a ira e o desequilíbrio, o excesso e por ventura, alguma escassez.

Eu aprendi a me despedir, mas não aprendi ainda e nem quero aprender a cegar a minha visão e a fechar a grande janela aberta, de onde assisto ao mundo, apoiada em meus próprios cotovelos...

e sei que todas as coisas nos falam muito mais que os homens e suas matracas abertas; o pássaro que sobrevoa as torres dos edifícios; as árvores e as nuvens... até a florzinha que ninguém vê e arrebenta o solo diz-me segredos e transmite-me força. Eu aspiro os ventos como se fossem alimentos e descubro as falas ocultas.

Eu aprendi a me despedir do bom e do mau por imposição de ser...

E eu sou e sendo, sinto. 

Só não aprenda a se despedir se puder abarcar-me genuína e alegremente

quando então nem todos os ventos poderiam supor.



Nunca foram diários...​ outubro, 13.