Fotografia, Suzana Guimarães

domingo, 22 de setembro de 2013

Discurso sobre cotovelos ralados, ou, o tanto que a coisa pequena pode incomodar.





Três dias atrás, ralei meus cotovelos por 50 minutos no meu quimono - novo - que por sua vez, esfregava-se no tatame e eu nem sentia. Era uma aula especial: testar o poder da mente sobre o corpo e aprender a disputar em prol de seu time. Ganhei as duas provas, provei que posso ausentar-me de mim mesma, e, por consequência, da dor e do peso do meu corpo. Eu sei realmente abstrair-me. Eu os ralei porque algumas pessoas do meu time perderam e a pena é alta, uma sequência infernal de exercícios. Só senti ao sair da academia e eles doem até hoje. São machucados pequenos, parecem insignificantes, mas eu descobri que bato-os o dia todo em todos os móveis e quinas de paredes, e preciso deles, dos cotovelos, para mudar de posição na cama, na hora de dormir, na hora de levantar, e, também os apoio mais do que eu imaginava... dois insetinhos incomodando o elefante, eu.

Eu nunca disse que eu era um elefante numa loja de cristais?

E eu disse que gostava de diários?


Setembro, 22