Fotografia, Suzana Guimarães

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Aglutino-me


Comparei-me a uma lagartixa, branca, demorada e concreta, de tão pesada. Impossível conter a tristeza. Entretanto, a força vai se refazendo, nos detalhes. Quando a gente vê, muita coisa já se ajeitou em outra, e a tristeza se ajeita também, em conformação. A morte obriga a visitar o terreno do consolo... 'pelo menos isso, pelo menos aquilo'. Eu poderia recusar, mas é como ele me disse, "Pode ser lagartixa, mas não se esqueça de que ela tem poderes de regeneração."

Por volta das sete horas, a noite anuncia-se e leva-me à varanda, nela eu renasço. A rotina das aves perto de mim e os barulhos dos homens ao longe são os mesmos, porém outros porque já não sou mais a mesma.


Julho, 6