Fotografia, Suzana Guimarães

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Fiquei para morrer, por pouco arrastei-me pelos chãos que pisava. Passou janeiro, fevereiro, março... a minha mãe dizia, espera por maio. Esperei. Continuei a morrer, cada neurônio querendo vida e eu não tinha forças, praticamente arrastei-me pelas manhãs, na rotina das tardes, em noites para serem esquecidas. Passou maio, junho... em julho, apunhalaram-me num descuido meu e os céus fecharam-se em noite escura. Morre-se, sim, de tristeza, o corpo padece. No espelho, várias de mim, e em nenhuma, eu me reconhecia. No final de julho, alguns me deram coroa, flores, curvaram-se a mim em cumprimento e eu a eles. Num lapso de tempo que não se pode prever, fui obrigada a levantar-me, a dizer 'vá à merda', apaguei inúmeros contatos, nas agendas, nos telefones e em mim. Dei-me por vencida, mas continuei. Em agosto, mês dos meus gostos. Quem manda sou eu, inclusive em mim. Se tenho algo para os que passei a borracha? Sim, tenho, meu riso e deboche. Não moro no Jardim Califórnia, não treino de favor, não sou comparável à moral alheia porque tenho meu próprio juízo de valor. Não falo bem o Inglês, mas domino a mais refinada das linguagens. Na realidade maior, digo, nasci sozinha e assim morrerei. Não preciso das pessoas, apenas amo alguns.

Eu disse que gostava de diários?

Agosto, 15






A cadela já não me segue pela casa. A sequência interminável de 'déjà vu'  se foi, já não vejo mais o já visto. A certeza de que aqui não é o meu lugar aumentou. Permaneço receiosa de arrancar nos morros... Eu, que fazia isso tão bem! Não quero sentir saudade do jeep, do tatame e da varanda. Tomei birra de querências.


Agosto, 17
 
 
 
 
Anular em mim as sobras que o outro deixou. Deixar em mim, as dobras que eu mesma fiz.

Agosto, 17

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