Fotografia, Suzana Guimarães

terça-feira, 10 de dezembro de 2013


Não digo mais nada, escrevo
Não sinto mais nada, respiro
Tudo que foi, bastou
por isso, se foi.

Um ano todo num único ponto final
numa forma ortodoxa, óbvia demais, burra
de onde escaparam-me pequenos delírios, sobreviventes.

Teimosia, teimosia, teimosia...

Na dor, a cegueira aumenta e a lucidez afasta-se. 
Talvez, quem sabe, eu seja apenas a expectativa de um sussurro ou a grandeza de um jamais despertado idílio, 
sonho dos loucos.
Ou tudo, ou nada, o número que me segue, o sete.
E eu queria apenas o médio, o mais ou menos...

Talvez, quem sabe, não fosse para mim por ter sido feita para extremos...
como se nos coubesse a escolha.
Que ela existe, existe, depois que lhe entregam o traço marcado.

Alegria, alegria, alegria...

Preciso ver o mundo pelas sobras, pois foi o que restou, não o que perdi.
E, o que restou é o que importa.
Resta-me o silêncio dos vencidos,
mas, intrínseca e resistente, uma vontade maior desdobra-se

E eu respiro e escrevo 
Não sinto. Não almejo. Não traço metas
Permaneço. 


Dezembro, 10


Suzana Guimarães

3 comentários:


  1. [da pedra do peito

    dos sobreviventes,
    são paridas as sete partidas do mundo;
    menos, são as chegadas!...]

    um imenso abraço, Suzana

    Lb

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  2. Por vezes somos assim mesmo. Permanecemos apenas. Como árvores, esperando nova machadada. E o machado tem o cabo de madeira tb.

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