Fotografia, Suzana Guimarães

domingo, 27 de julho de 2014



Se eu fosse madame, se eu fosse à toa, eu não seria motorista, não seria faxineira, cozinheira e babá. Eu teria privacidade e tempo. Eu poderia escrever, escrever, explodir de escrever. Eu poderia estudar Inglês, eu poderia ler. Se eu tivesse privacidade, eu poderia chorar minhas perdas, minhas dores, minhas saudades. Se eu fosse um ser individual, eu teria horas sozinha, eu comigo mesma. Eu poderia tomar chá, olhando o teto da casa. Eu poderia remexer em minhas fotografias. Eu poderia me lembrar de quem eu quero. Se eu fosse tudo aquilo que pensam de mim, provavelmente eu seria muito mais feliz. Pois, apesar de tudo, sou feliz. Se eu fosse... não é ser de verdade, no entanto.


Julho, 27