Fotografia, Suzana Guimarães

quinta-feira, 4 de setembro de 2014


AS ANTAS E EU - Lição do dia: burro será você que não aprende a se esquivar dos outros burros.


Sei que as ruas são muito estreitas e são de mão-dupla. As ruas próximas às escolas dos meus filhos. Então, na primeira, não entro porque os motoristas que passam lá me fazem lembrar dos folgados do Brasil. Daí, na avenida, entro na próxima à direita. Eu sei, estou cansada de saber, eles não sabem dirigir, além dos folgados acima citados. Entro na rua, e anta 1 está fazendo baliza. Estou um carro e meio para dentro da rua, para fora da avenida. Anta 1 erra quatro vezes e eu paro de contar. Chega anta 2, anta 2 não tem visão além e aproxima-se ao máximo de anta 1; e de mim. Atrás de anta 2, vem anta 3. Atrás de mim, um cara que eu imaginei rapidamente, "será a anta 4". Saio do carro, assim que anta 1 consegue estacionar. Eu já havia feito sinal para anta 2, para sair da reta, ela tinha espaço para trás, bastava avisar anta 3. Mas, anta 2 não entende sinais. Peço ao cara de trás para voltar para a avenida (não é nenhuma Avenida Paulista ou Avenida Amazonas). Ele pergunta: "Você quer que eu jogue o carro para a avenida? (essa não é a melhor tradução)". Eu respondo: "Cheguei primeiro e ela não se mexe. Ela está parada, ela não quer sair dali". Ele então prova: não é anta e vai embora. Eu vou atrás. Antes e durante, devo dizer, olhei para anta 2 e apontei para ela, depois para a minha cabeça, depois, com a outra mão, fiz sinal negativo". Ou melhor, você não tem cabeça, cérebro, mente, enfim, você não pensa. Imagino a minha cara... ah, eu imagino. Mas, anta 2 não entende sinais. E anta 1? Onde foi parar anta 1? Por que anta 1 não saiu do carro em momento algum? Bom, deixa pra lá! Entro na próxima à direita, de novo. O cara que seria anta está à minha frente. Ele encosta para alguém passar e um outro alguém fazer baliza. Contudo, após isso, ele fica parado, olhando para o retrovisor, fazendo sinal negativo com a cabeça e sorrindo de leve. Estico o pescoço, nada à vista. Sim, outra anta, um pouco menos, um pouco mais, não sei... o que pensar sobre cabeças de antas? Olho para trás, dou seta e viro o carro, na esquina, de volta para a avenida, ao melhor estilo "motorista brasileiro", sinto muito aos demais. Resultado: a maior anta sou eu. Falei no carro para o meu filho, "Anta, anta, anta, sou anta". Nunca mais passo por lá; isso pode ser transmissível.


Setembro, 4
Pra não dizer que não falei dos podres...