Fotografia, Suzana Guimarães

domingo, 4 de maio de 2014

sobre meu pai...



(um presente de Rika Silva para mim)

As pessoas do meu convívio virtual pensam que eu tive um relacionamento feliz com o meu pai e, que, por isso, eu choro tanto a sua morte. Não. Eu não tive. Ele nunca soube ou quis me entender e eu não tive paciência ou serenidade para aceitá-lo. Só no final, bem no final... Ele morreu há sete meses apenas e parece que foi ontem ou foi há sete anos, setecentos tempos atrás... Também não choro porque não aceitei, eu aceitei a sua partida  pois o seu corpo já não podia mais viver em plenitude... mas, ó Deus, como dói a lembrança dele! Sua morte virou a minha vida de cabeça para baixo, sua morte fez uma varredura, uma devastação. Meu pai se foi e levou com ele o que eu pensava ser eliminado e também tudo e todos que eu jamais pensei eliminar do meu cotidiano. Eu nunca soube que ele era tão poderoso.

Vou postar uma das músicas que eu ouvia, enquanto eu digitava, ele, deitado em sua cama, em sua casa, olhava-me e sorria. Ele se lembrava dos tempos da sua máquina de escrever, o som fazia-lhe bem...

https://www.youtube.com/watch?v=WWJfsGoc6fw&feature=kp

Eu disse que gostava de diários? 

Maio, 5