Fotografia, Suzana Guimarães

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Diacov


"acordei num barco sem ti não é o mesmo que dizer que acordei num barco onde o vento, o mar cuspindo em mim, nada de um mundo sem ti, nada no fundo sem ti, nunca mais me deixe acordar aqui, tudo em espécime, meu deus, meus cabelos, tudo aguaceiro sem ti, veja o peixe morto, veja a morte há horas ali, nada de um mundo todo sem nós por aqui, nós, nós nunca nos demos bem, acordei nesse barco sem roupa, acho que nunca dormi, não tenho sono, não tenho frio, não tenho nome pra vestir. não tenho língua que chegue."


"fico repousando a cara sobre o teu perfil. fico repousando a carla fico repousando a malha das coisas que quero escrever e não escrevo nunca porque a maré porque o vendedor de espelhos porque as enguias erradas porque eu preciso porque eu pretendo e fico. uma tarde e meia. é o tempo que tenho desde que lancei meu corpo ao caldo disso. aguarda um jardim de abóboras a lírica chafariz enquanto eu te gosto e tanto."


Por Carla Diacov