Fotografia, Suzana Guimarães

terça-feira, 8 de abril de 2014


A cada dia sei menos sobre gente e não sei mais em que planeta vivo - penso que criei um para mim e nele me refestelo. Batem em mim constantes dúvidas e desconfortos, não importando onde eu esteja, chego a quase me beliscar - já que vivo nesse planeta só meu. Às vezes, tento pisar no endereço alheio e isso só piora a estranheza. Hoje, com a endorfina nas alturas, na fila dos cumprimentos, após uma aula de jiu jitsu, pisei terreno alheio, e fiz algo que já queria fazer há tempos. Questionei, sem melindres, a razão de um colega ora sorrir para mim, ora, não, ora ser amigável, ora não. Fui incisiva, um dentista para cima dele, querendo arrancar dele dois dentes, daqueles baitas que ficam no fundo da boca. Um colega quis saber o que estava acontecendo. Contei. Eu nunca espero defesa, aprendi a viver sem isso, faço eu mesma a minha, sempre. Mas, hoje, eu a tive. Decidiu ele, o meu colega, arrancar os dentes do desinfeliz. Arrancamos juntos. 


Estou exausta de gente. Estou exausta da empáfia. Transborda em mim o que está faltando nos outros: vontade. As pessoas andam sem vontade, usam-na como a um adorno, ajustável de acordo com o seus humores. Mas, o humor nosso de cada dia pode estar exausto de tanta gente metida à besta. Tudo e todos, menores que grão de areia, a se entenderem magníficos, gigantes em suas omissões ou ironias.

Eu disse que eu gostava de diários? 

Abril, 8 - dia em que Marte alinhou-se à Terra e eu alinhei um camarada.