“A luz passa pelas frestas.”
EU DISSE QUE GOSTAVA DE DIÁRIOS?
Fotografia, Suzana Guimarães
Data: Junho de 2020
domingo, 31 de maio de 2020
Sábado, 30 de maio.
Hoje, eu entendi que apesar de estar há dez anos escrevendo muito sobre a minha vida, e principalmente sobre as minhas vísceras, eu tranquei o meu passado nas caixas das minhas fotografias. Como se a vida nos EUA fosse apenas tudo o que fui a partir de quando cheguei aqui. De certa forma, matei metade de mim.
Não tenho nada para fazer sobre isso. Esta pandemia está sendo de espantos e por consequência não me sinto preparada para nada, nem para arrumar saídas, soluções para tudo. Talvez essa situação tenha me libertado da insistente mania de estar pronta.
Não estou pronta para nada.
Tomo mundo em isolamento e agora o povo vai para as ruas e isso está absolutamente correto, mas, daí, eu penso: tinha mesmo que ser assim? Não dá nem para acabar de matar o primeiro dragão e já vem outro. 2020 e caos significam a mesma coisa. Long Beach entrou na lista das cidades com protestos e é assim mesmo. No tatame, a gente aprende a continuar a luta e só depois parar para passar mal.
sexta-feira, 29 de maio de 2020
quarta-feira, 27 de maio de 2020
A grande maioria dos meus amigos do Facebook, penso que eu nunca vi na vida, mas fico triste quando os vejo tristes. Meu psiquiatra que depois virou meu amigo, me disse que isso aqui é tão real quanto a vida. Ele disse que não existe amizade virtual. Eu retruquei, Mas eu não os conheço fisicamente! Ele disse, Você não conhece, expressão vinda da bíblia, que significa que não fez sexo, apenas isso.
Aguenta, gente, aguenta. Juntos voltaremos a nos divertir!
A minha cachorra ficou menstruada, ontem. É a primeira vez. Demorei para aceitar, pensei que fosse qualquer outra coisa... confesso que senti tristeza, coisa estranha isso, é natural, é bom, é saudável, mas bateu melancolia. É a primeira vez para mim também porque eu tive cachorro, um pequinês macho, nunca lidei com uma fêmea, tive três gatas persas, mas eu não as vi menstruando.
Tenho um primo na Itália e perguntei a ele se o país está mesmo saindo da quarentena, ele disse que sim, mas está quase tudo o mesmo, alienados e preocupados ocupando o mesmo espaço. O mesmo aqui, na CA, apesar de que meu salão de beleza está fechado, salão da família. Meu marido ligou para xeretar quando irão abrir, fingindo não saber, e o dono disse que o atenderia porque somos clientes antigos, mas que ele teria que entrar pela porta dos fundos. Meu marido desistiu. E haja pomada naquele cabelo!
Daí, vem Brasil abrindo as portas e a linha ascendente de mortos no país não para de subir, nunca paralisou e muito menos abaixou...
segunda-feira, 25 de maio de 2020
Li um comentário de uma pessoa instruída, graduada. Ela diz que o isolamento imposto pelas autoridades públicas é inconstitucional e que, entre governo que pratica inconstitucionalidades e o vírus, ela prefere o vírus, sendo ela profissional na área de saúde. Provavelmente, ela entende alguma coisa de saúde, mas com certeza nada sobre a Constituição Federal brasileira, pois sua fala demontra desconhecer a causa jurídica. Autoridades podem sim, em caso de calamidade pública, tomar atitudes que restrinjam as liberdades individuais porque o bem maior, no caso, a saúde pública, toma lugar superior ao das liberdades de cada indivíduo.
De advogado, poeta e doido, todo mundo tem um pouco, já disse a voz popular.
Eu sempre quis ter um cachorro grande ao meu lado para eu sentir segurança, mas, lá em casa, apenas old sister podia escolher a raça, cor, nome...
Ontem, ela comeu uma abelha que voava distraidamente no quintal. Quando meu filho me chamou, ela cambaleava e procurava se distanciar dele, mas quando me viu, voltou. Meu coração ficou do tamanho de uma ervilha quando a vi parecendo que ia desmaiar, andando de forma trôpega... Entendi que a amava, que eu amo a minha monstra. Passei as mãos na garganta e na cabeça dela e então ela vomitou. Ainda bem que foi somente isso.
domingo, 24 de maio de 2020
Mais cedo, encontrei uma garrafa de champagne na geladeira da garagem. Bebi. Não tem nada no lugar mesmo, nem coisas, nem pessoas, nem tempo, em alguns casos, nem espaço. A minha filha dorme às 4 horas da manhã, acorda às 2 ou 3 da tarde. As colegas de sala dela, também. Meu filho diz que como é mais ajuizado dorme às 2 ou 3 da madrugada. Eu, eu não durmo. Finjo. Espero não vir a abrir champagne às 8 da manhã.
Assinar:
Postagens (Atom)
