Quem tem cachorro sabe o código: se quem está segurando a guia desvia, muda a rota, traz o animal para bem perto de si, fecha a cara ou o cão cisma, invoca e rosna, qualquer um desses ou todos juntos que é o que acontece quando passeamos com a nossa cachorra, é para ir para longe, fazer o mesmo, evitar o confronto, mas tem umas pessoinhas no meu bairro, as mais velhas, que fingem não perceber e partem para o contato trazendo o seu animal. Hoje, havia um homem com um cachorro de porte grande solto. Eu atravessei a rua, andei depressa, eu não disse uma palavra porque antes de dizê-la já teríamos a batalha. Ele não gostou e começou a gritar para mim. A minha cachorra é antissocial porque foi atacada na rua quando era bebê. A dona dela também é antissocial principalmente com gente estúpida e sem educação. Eu estava sem celular para fotografar o cão sem guia na rua e depois reclamar, decidi me esconder atrás de uma árvore. Ele continuou andando e gritando. Eu o ignorei. Pegamos então o outro lado oposto a ele, respirei feliz, teríamos alguns minutos de sossego, a minha rua costuma ser tranquila às 7h da noite porque é a hora do jantar dos americanos. Então, vem um já conhecido casalzinho que me mira, me foca como se fôssemos o alvo para suas carências e parte em nossa direção com aquele pirralho de cachorro atrevido. Diga-se, a minha cachorra é uma labrador fortíssima. Todos os movimentos do código de tutores de cães são feitos, mas o casal tem gana e não desiste. Eu então atravesso e me sento em frente à porta da minha casa que tem uma driveway enorme. A mulherzinha vem em linha reta em direção a nós, sentadas em nosso território, a labrador antissocial começa a latir, eu vejo o sorriso patético da mulherzinha, xingo palavrões em português, puxo meu cão e entro batendo a porta. É essa gente que quer mandar no mundo.