EU DISSE QUE GOSTAVA DE DIÁRIOS?

Fotografia, Suzana Guimarães
Data: Junho de 2020


sábado, 2 de maio de 2015



https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=9fmMK0lfv80


Eu não preciso desta música para me lembrar dele, para isso, basta ollhar o espelho ou ouvir o som que as folhas fazem quando o vento bate nas árvores... basta eu deixar explícito meu gênio irascível ou meu gosto por armas e dicionários. Para eu me lembrar dele nem preciso disso, do ato de recordar. Está impregnado em mim, em minhas crias, em certos homens que atravessam o meu caminho... e eu me reencontro com ele, mesmo assim, vendo aquele homem ao longe, cabeleira branca, andar trôpego, de mãos dadas com ela... não é ele? E eu sou eu? Juro por esta existência, eu transpirei amor quando vi aquele senhor caminhando, nem sabendo de mim, estática em frente à porta do supermercado, chorei feito criança, sozinha, perdida, igual naquelas noites em que pensávamos que ela iria na frente e ele, muito nervoso, tentava controlar situações incontroláveis.

Eu disse que gostava de diários?

Maio, 2

terça-feira, 14 de abril de 2015



Pessoas fortes somente quando os ventos sopram a favor? Ah, isso é fácil!

Abril, 14




(...os fracos fazem festa nos momentos bons e imaginam os ventos, seus escravos)

sábado, 11 de abril de 2015


Eu não sei por quê. Eu só sei que a palavra em Português amacia-me. Entretanto, preciso aprender a falar em outra língua e isso que parecia tortura terá que ser prazeroso. Não que eu não fale, falo, mas de nada a minha alma sabe, como uma trava, uma gruta secreta, escura e chata... Escrevi palavras para a minha filha ainda muito pequena em meu IPad... ela ouvia a tradutora do Google repetindo a mesma palavra das duas maneiras e em 99% das vezes, a minha filha preferiu em Português. Então, não é porque nasci naquele mundo, então, não é porque tenho pouca inteligência... é porque eu só sei ser assim...


Eu disse que eu gostava de diários?

Abril, 11

terça-feira, 7 de abril de 2015


De tudo do jiu jitsu - e não é pouco -, eu sou fascinada pela técnica chamada guilhotina. E eu a repito sempre quando luto e isso é o meu segredo que eu nunca fiz questão de mantê-lo segredo, algo sigiloso, pelo contrário, faço questão de comentar sobre. O que me intriga é saber que mesmo com o conhecimento de todos, o meu elemento surpresa não é eu tentar fazer a guilhotina, e muito menos repeti-la - sim, eu a repito inúmeras vezes em uma mesma luta, incansavelmente - o elemento surpresa não sou eu e a minha técnica preferida, mas sim saber que meus oponentes na maioria das vezes são pegos nela simplesmente porque eles não acreditam que eu ainda não desisti. Não desistir é a principal arma do humano, contudo, pouco usada.

Eu disse que gostava de diários? 
Abril, 7.

domingo, 8 de março de 2015


Nenhuma tristeza consegue ser artificial, alegria, sim.


Sobre a moça da fotografia.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Estou com sensibilidade auditiva. Que tudo seja bem pouco. Estou atraída mais ainda pelo pouco. Pouco som, poucos atos, pouca vontade. Cansei-me do tudo, do muito, do absurdo. Ainda sinto na pele a última viagem que fiz. Pareço a sucuri que engoliu a viagem, no meu caso, sim, ela, a viagem. Continuo lá, naquelas estradas, naquela cidade. Nunca algo foi assim tão forte em mim. Talvez por isso eu não queira mais nada. Quero continuar digerindo o que vivi. Se perco meu tempo, se a vida se esvai... o que é que o mundo tem a ver com isso?
Março, 4

segunda-feira, 2 de março de 2015

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Fazer esforço demasiado para mudar uma situação pode resultar em cansaço com sensação plena de incapacidade. Há algo mais entre você e a existência, embora você não possa ver. Esse algo a mais são avisos miúdos, casuais, sutis... parecem nada dizer, porém, dizem tudo. Hoje, eu me vi diante de uma porta já aberta; um painel pendurado na parede bateu com força, plaft, plaft...; no chão, antes do meu próximo passo, um ramo seco de alfazemas... aviso dado.

Eu disse que gostava de diários?

Fevereiro, 27

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Dei-me ao luxo da simplicidade de recusar, de fazer pirraça, de insistir em afastamentos. Nada para os outros; tudo isso só para mim mesma... sem explicações ou pudores: negativas rasgantes. Dei-me ao luxo da singeleza de nem pensar em arrependimentos - minha eterna culpa; livrei-me dessa! Assombra-me tanta liberdade! Assombra-me este voo solitário sem par, onde eu me busco, às vezes, para ter certeza de que não sou outra.

Suzana Guimarães.

(Em 29 de janeiro de 2015, no Facebook, originalmente)

domingo, 18 de janeiro de 2015

Se eu soubesse escrever, eu escreveria um sorriso. Se eu soubesse desenhar, desenharia um sorriso. Enviar? Um sorriso. Guardar? Outro. Eu queria que chovessem as flores de Theresa, mas em forma de sorrisos.

Diários, janeiro 18

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Entre o são e o insano vejo um fio de luz, ligando um poste a outro, onde pássaros já pousaram e ainda pousarão. Vejo a simplicidade do mundo e a disposição das coisas e pessoas. Ao final, tudo é um conceito só, única chama, vários prismas: misteriosa existência.



(Postado originalmente em 5 de janeiro de 2015, às 22h45min, no Facebook.)

domingo, 4 de janeiro de 2015



Um minuto antes da loucura: não sei se rio, não sei se choro, não sei qual pose faço, não sei se encaro ou se desvio, se ignoro ou se me deixo ir ou se retorno. Não sei se me agasalho, se me volto e decido para trás, ou se finjo. Perdi a noção exata de tudo quanto foi certíssimo, absolutamente claro. Sinto ora frio, ora medo, dor na espinha vertebral. Depois tudo será novamente monotonia, mas agora, um dia, uma hora, uma milha, uma noite inteira, toda a vida, antes, esse antes, tudo é noção clara de insanidade.

Eu disse alguma vez que gostava de diários?

Janeiro, que dia é hoje?



P.S.: A sensação final é: branco total. Parece tudo mentira. Nasci agora.