EU DISSE QUE GOSTAVA DE DIÁRIOS?

Fotografia, Suzana Guimarães
Data: Junho de 2020


domingo, 7 de junho de 2020




(SCG)


Mania de não acreditar que é o mar lambendo-me, que é cheiro de maresia e esse nome é poético, que tenho o mar e ele é meu. Mania de duvidar. O sal prega na pele, o som é inconfundível, o vento que bate no rosto e me descabela é dele.

Em todos os lugares, as placas: No mask, no service.



As fábricas de bicicletas americanas não estão conseguindo acompanhar a demanda. Não tem bicicletas para vender, exceto as de cinco mil dólares.



"Parecemos plural mas somos tão singular. Penso que a humanidade é feito um universo. Somos todos planetas e cada um tem um interior. Uns regem a beleza, outros a guerra, uns regem o intelecto, outros a poesia, uns regem o supérfluo, outros o necessário. Cada pessoa é um mundo à parte. Basta entrar mesmo que superficialmente pelo mundo do outro e perceber as diferenças, os cheiros e os sabores. Somos únicos.
Sim, talvez se fóssemos iguais viveríamos na paz, mas acho que Deus quer essas troca para nosso próprio crescimento."

sexta-feira, 5 de junho de 2020

A história do menino lembrou-me outra.


A história do Miguel Otávio lembrou-me outra.
Deixei meu filho, na época com sete anos, aos cuidados da terapeuta dele, junto com ela, na sala dela. Eu sempre esperava do lado de fora porque ela pedia para o pai ou mãe não entrar. Isso foi em Belo Horizonte. Só havia eu na sala de espera.
Certo dia, decidi ir ao supermercado a um quarteirão de distância do prédio comercial onde a terapeuta atendia.
No supermercado, senti que deveria voltar e depressa.
Enquando caminhava depressa, carregando uma pequena sacola, eu quis correr, mas eu estava grávida de sete meses.
Quando cheguei na portaria do prédio, o recepcionista estava segurando a porta do elevador para mim, sentado em sua cadeira, ele esticou o braço, puxou a porta e disse, "aberta para você."
O elevador estava vazio, fui direto para o andar do consultório.
Quando a porta se abriu, vi meu filho no corredor olhando para fora da janela de vidro. Ele havia me visto atravessar a rua em direção ao prédio. E um homem velho estava perguntando para ele se ele estava sozinho.
Isso me incomoda até hoje. Estou digitando com o coração disparado.
Meu filho entrou no elevador e fomos embora.
Passei a minha vida toda fugindo de assédios na rua, passei metade dela ou mais brigando por tudo e por todos, mas naquele dia, eu só quis ir para bem longe com meu filho. Eu estava grávida e por causa de muitas confusões que estava vivendo não poderia arrumar outra. Meu filho estava bem e comigo. Muitos disseram que eu deveria ter quebrado o pau, mas eu não podia.
Fixei meu pensamento no universo e agradeci. Cancelei as consultas com a terapeuta irresponsável. Contei o fato para meus amigos que a conheciam. Nunca mais a vi, graças a Deus.

Amor é matéria óbvia.


terça-feira, 2 de junho de 2020

Maio é o mês mais lindo do ano e ele para mim durou quarenta anos. E isso não é uma coisa ruim.


Ganhei uma balinha de chocolate com maconha. Comi.



Eu nunca usei maconha porque não quis e por vários motivos, dentre eles, o cheiro da erva me dá vontade de vomitar e eu sempre vivi um mundo à parte já suficientemente pouco compreensível pela maioria. Pode-se dizer que eu nasci um etezinho ou uma pessoa quase autista. Pra que então sair da realidade?

Ontem, eu aceitei o docinho de chocolate e maconha para experimentar o tanto que ele pode ser terapêutico. A Califórnia permite.

Children, pensei que não fosse fazer efeito algum porque certas substâncias precisam ser em doses cavalares para me derrubarem, daí, pensei, talvez me coloque para dormir e isso era a ideia principal.

No quadragésimo minuto, percebi que a minha distração havia aumentado e eu nem sabia mais o que estava falando para um amigo no WhatsApp, no minuto depois, senti a ponta da minha língua adormecendo, e assim nessa sequência, senti minhas têmporas sendo pressionadas de leve, e fiquei beiçuda, como se tivesse colocado botox. Daí para frente, eu ri. Só de lembrar eu rio novamente.

Fácil dominar um povo, realmente, dê alguma droga e ele não fará resistência na beira da praia.

O efeito durou exatamente sete horas e eu fiquei com ânimo baixo na sexta hora, e dormir que era bom, nada!

Se gostei? Bom, deve ser muito legal em determinadas circunstâncias. Na minha rotina, não há espaço porque eu não posso passar horas do meu dia na brisa. Eu ri muito e isso foi ótimo, mas eu rio muito constantemente... vocês podem não acreditar, mas é, pareço aquele saquinho de riso da década de 1980.

Não dá nem para acabar de matar o primeiro dragão e já vem outro. 2020 e caos significam a mesma coisa. O Ebola está se manifestando na África.



Na época de Luther king, as ruas ficavam lotadas de negros. Hoje, tem mais brancos que negros. Quem suporta tanta maldade? O que a cor da pele tem de tão importante?



A cidade está emitindo Toque de Recolher desde dia 31. Enviam várias mensagens por dia, alterando a hora. Desde a morte de Martin Luther King, o povo americano não fazia um protesto tão duro, longo e difícil já que estamos ainda sob restrições por conta do coronavírus. Mas tinha que ser, tem que ser. Se os bons não gritarem, os maus tomarão conta.