EU DISSE QUE GOSTAVA DE DIÁRIOS?

Fotografia, Suzana Guimarães
Data: Junho de 2020


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019


Creio no bem. Creio na bondade. Não quero mudar quanto a isso. Sei que existe muito amor ainda. Não sou de desistências. Todo o resto não encontra recíproca em mim. 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019


Se foi, na madrugada, um amigo meu de infância e adolescência, talvez um primo, bom, a gente se via assim, primos. A vida se impõe e a gente vive o que tem de viver, mas a sensação de vazio é forte, estranha, ruim. Eu me lembro dele de uma única forma, um menino doce e brincalhão. Minha cabeça dói.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019


Quando cheguei na Califórnia, disseram-me que aqui nunca chovia, mas naquele ano choveu copiosamente... Em uma das nossas viagens, na fronteira entre o Arizona e Nevada, parados em um posto de gasolina, ouvimos um índio dizer que não havia chovido naquele mês por setenta anos, quando comentamos sobre os primeiros pingos de chuva no retrovisor do carro. Essa terra conta-me histórias e se debulha em lágrimas...

É triste perceber que eu nunca fui realmente de lá...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019


Preguiça de sentir, de escrever, de ser. Preguiça de sonhar. A vida pede atitude, então a gente se mexe. Nem que seja ir ao centro da cidade para comprar uma agulha ou um lápis. A minha mãe me dizia isso, ainda diz. Concordo. Mas hoje não. Preguiça de surtar. Nem isso eu quero. Vejo-me em corrida de obstáculos, vivendo de pulos. Pula isso, pula aquilo, agora não. Mês passado bateu a minha porta com notícia de morte. Isso me machuca. Penso em escrever, mas nem isso... hoje não.

Amanhã, farei bolos. Hoje não.

Sobre bloqueio em rede social


Às vezes, eu descubro, nas páginas dos amigos, que fui bloqueada. Isso acontece com todos, eu sei. Inclusive eu também bloqueio, mas eu bloqueio quando se faz necessário, quando o tempo com a pessoa fechou. Não bloqueio apenas porque deixei de ser amiga. Por isso eu realmente nem bloqueio. 

Penso que quem me bloqueia sem que tenha havido invasão da minha parte ou somente porque deixamos de ser amigos o faz para não cair na tentação de me ler, de me ter novamente ou mesmo apenas de me ver. 

Por Deus! Só rindo.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Observação


A minha primeira família é pequena e bem problemática. Até aí, tudo bem. Acostumei-me com todos. Sei lidar com eles e eu os amo. O chato é assistir a quem entra nela para nos fazer mais ainda complicados, afastados e esquecidos dos tempos passados, muitas vezes duros, mas estreitos, onde nós nos cabíamos. Tem uma gente que entra para salgar a terra. Tem uma gente que salga esse meu pedaço de chão que não é pequeno.

Um filme insiste em passar onde a protagonista agora assiste. A propaganda na televisão diz que não é apenas fazer as malas e atravessar alguns países e que isso é para poucos. Alguns desistem e retornam. Essa é a minha única certeza, a de que não retornarei. É fácil ir embora, buscar o desconhecido, abraçar a solidão. Difícil é construir as vidas. Eu diria, quase reconstruir. Essa outra renascida está parada. Eu estou parada, mas esse movimento não significa retroceder, voltar atrás. Após revoluções não se volta atrás. 

Assisto. Estou cansada. Pesam-me os últimos vinte anos. Sou uma velha. Entretanto, embora cansada ainda tenho forças para dizer que não acredito mais. Em quem? Em quase todos. Sou uma pessoa de atitudes e decisões. A inércia ou melhor a covardia de muitos esgotou-me. Assisto a mim mesma tão brava e corajosa. Pisei flores, saiba. Se hoje estou estacionada é porque cansei-me. 

Penso em meu pai que não acreditava nesses meus momentos apagados. Ele dizia que debaixo das cinzas havia faíscas esperando bem pouco para voltarem a ser fogo. Fogo? 

Não sou mais fogo, nem água. Talvez terra quando o ar fica parado. 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019


Depois de uma certa época e idade, eu aconselho filhos e amigos a escolheram o amor - esse, sempre e indisponível - mas, após certa idade e atropelos românticos, recomendo optar por alguém para se ter ao lado que tenha algum dia se casado, ou juntado e que tenha adotado pessoas não importando se filhos biológicos ou não, idoso, ou mesmo um apadrinhamento. Que tenha se responsabilizado por alguém amorosa ou financeiramente. A vida fica mais fácil. 


Janeiro, 4

A riqueza muitas vezes não lapida.


sábado, 2 de fevereiro de 2019


Colocando a vida na balança.
Não tenho muitas palavras, não tenho vontade de tê-las. 
Chove o dia todo e hoje é sábado. Isso é uma benção. Ouço os barulhinhos das águas nos telhados, no pátio do quintal... 

Colocando as pessoas na balança...