Parei de ler. Não leio mais nem noticiário. Parei também de escrever. Não interajo muito mais. Tornei-me antissocial, quase uma grossa. Isso tudo poderia ser um desastre pessoal, mas não é. Nunca estive tão bem em minha vida. Quem bater à porta, faça-o com extremo cuidado. Usa gentilezas. Fala baixo. Pega macio no meu braço. Empresta aí seu casaco, eu o quero. Mas, fala manso, de preferência, nem fale. Aja. Faça. Vida é verbo. Se eu não reagir, saia discretamente. Se eu sorrir, fica. Mas fica por inteiro. Pedaços? Nem de pão.
EU DISSE QUE GOSTAVA DE DIÁRIOS?
Fotografia, Suzana Guimarães
Data: Junho de 2020
quarta-feira, 1 de março de 2017
quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
segunda-feira, 9 de janeiro de 2017
A minha vontade de ofender quando ofendida, meu interesse em revidar ou mesmo o desejo de estar em um colóquio mental com as pessoas (um velho hábito meu), isso tudo acabou em um desinteresse frio e distante da minha parte. Não que eu tenha me tornado santa, eu apenas perdi o tesão por certas polêmicas e certas pessoas. Então, às vezes, pareço ofender com ações ou omissões, com meu jeito de escrever e falar que é somente um jeito diferente de ser e não é mau. Ser diferente não é opção, nasce-se assim.
Se vejo do outro lado pureza de intenções e doçura, com absoluta certeza, acredito, nem desentendimentos ocorrerão. Eu não resisto às pessoas doces. A minha filha fala, "Tão cheia de doceira!".
sábado, 31 de dezembro de 2016
O Dário Banas escreveu que 2016 tem vinte anos. Verdade. Mas, apesar das muitas desgraças ocorridas no ano dos macacos, eu fui feliz, de janeiro a dezembro. E, quando eu não fui feliz, fui forte como nunca antes. Aprendi a viver sob pressão e a manter o controle. Passei o zíper, lacrei o que antes eram tentativas constantes. Alcancei um certo nirvana. Visei o foco, o fim.
Certos anos se eternizam...
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
terça-feira, 29 de novembro de 2016
sábado, 29 de outubro de 2016
Para ele
Como eu era boazinha. Fingia não ver, respondia prontamente, doava atenção. Para os burros (que me perdoem os de quatro pernas, e que de burros nada têm), cheguei a desenhar inúmeras vezes.
Em meu vasto mundo cabia muitos.
Eu disse que gostava de diários?
terça-feira, 18 de outubro de 2016
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
Eu aprendi a me despedir. Espero que você também aprenda.
Não peço que se despeça do óbvio, mas sim de qualquer riso que tenha gozado; de toda lágrima que tenha escapulido, da sensação de cumplicidade e do iludido eternamente que vem nas palavras e nas carências, embutido, intrínseco. Eternamente é muito, longa palavra, longa realidade.
Peço que esqueça a ira e o desequilíbrio, o excesso e por ventura, alguma escassez.
Eu aprendi a me despedir, mas não aprendi ainda e nem quero aprender a cegar a minha visão e a fechar a grande janela aberta, de onde assisto ao mundo, apoiada em meus próprios cotovelos...
e sei que todas as coisas nos falam muito mais que os homens e suas matracas abertas; o pássaro que sobrevoa as torres dos edifícios; as árvores e as nuvens... até a florzinha que ninguém vê e arrebenta o solo diz-me segredos e transmite-me força. Eu aspiro os ventos como se fossem alimentos e descubro as falas ocultas.
Eu aprendi a me despedir do bom e do mau por imposição de ser...
E eu sou e sendo, sinto.
Só não aprenda a se despedir se puder abarcar-me genuína e alegremente
quando então nem todos os ventos poderiam supor.
Nunca foram diários... outubro, 13.
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Detalhes tão pequenos de nós...
Para ele, parece que a vida é eterna. Para mim, ela é breve. Para mim, cem anos é utopia; para ele, ilusão é um dia.
Para eles, dar likes no Facebook é o mesmo que falar ao telefone. Para mim, nem o telefone basta.
Para ele, comentar algum texto é carinho; para mim, é apenas comentar, digitar, escrever, abstrair, qualquer coisa, menos amizade ou amor.
Para ela, amizade é estar na lista dos seguidores. Para mim, isso é o mesmo que nada.
Para elas, dizer as vogais significa dar o alfabeto todo; para mim, é troca social.
Para ela, responder é quando quer. Para mim, é educação, gentileza e atenção devida.
Sou um E.T., fui abduzida logo que a Suzana nasceu e morreu em sua primeira hora de vida.
Este mundo não é o meu.
Outubro, 6
https://www.youtube.com/watch?v=i3AtRBlRQ-I
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