EU DISSE QUE GOSTAVA DE DIÁRIOS?

Fotografia, Suzana Guimarães
Data: Junho de 2020


domingo, 29 de maio de 2016


Começa seus relacionamentos da forma que era quando você era criança, tateando no escuro, devagarinho, aos poucos, sem despejar no outro, toda a sua existência. Você nem pensava nisso, não é? No que já havia vivido... De preferência, resista ao máximo a esse impulso, que não atrai ninguém, apenas repele.

domingo, 22 de maio de 2016

Meu filho (16 anos) disse-me: "Em sete anos de Estados Unidos, eu nunca precisei usar a frase, "The book is on the table".


Sobre estudar Inglês no Brasil.

domingo, 8 de maio de 2016


(por LRGM)


Ele me disse para eu parar de xeretar a vida alheia e cuidar da minha, mas eu quero o tempo todo cuidar da minha? Descanso fazendo engenharia social, outro nome, assim disseram-me anos atrás. Creio que essa definição seja a mais adequada, pois eu olho apenas o que está público e se assim está é porque a pessoa deseja a exposição; então, xeretar que é uma palavra feia não é cabível... Além da curiosidade no ser humano, nas águas profundas ou mesmo nas rasas, eu gosto de escrever e mais ainda de pensar. Sou quase uma máquina pensante e em muitas vezes adivinhatória. Existe algo melhor que juntar dois mais dois? Mas eu não me demoro. Isso eu prometi para mim mesma. Só demoro, o tempo que for, em mim mesma, lugar onde posso caminhar de forma livre.

As pessoas não são de todo confiáveis. As pessoas são pracinhas à noite onde podemos passear, mas atentas.

Eu disse que gostava de diários?

Maio, 8

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Por ser ébria...



(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)



Rancor, eu não guardo. Leonino é esquentado, estoura facilmente, mas tem o coração mole. Porém, esse coração mole, uma vez magoado, está magoado e ponto. E eu descobri que deitar na mágoa, bebê-la, sorvê-la, encharcar-me dela é bem melhor que ficar fazendo cara de sóbria. Cansada de sobriedades. As idades dos meus filhos me impedem de envelhecer, mas que a vida seja pelo menos excitante. Um quê de imprevisão cai muito bem em mim, graças a Deus. Um quê de 'melhor rasgar o mapa porque não há mais mapas'.


Eu disse que gostava de diários? Eu nunca disse.
Maio, 5

terça-feira, 3 de maio de 2016

Suzana Guimarães shared a memory.
Just now
Coisa mais linda que escrevi há um ano! Obrigada, Mr. Face!

sábado, 30 de abril de 2016

Sou boba. Tenho pena dos homens doces que não são devidamente amados - mas correm atrás. Faz dó. As mulheres se garantem muito mais. Homem mal amado chega a feder, vira um bicho, se descuida totalmente. Mulher faz justamente o contrário, sobe no salto e fica.


Vamos consertar isso! Tenho dó, não! Trouxa merece sofrer mesmo! Pior ainda é trouxa que gosta do tecido dos mais vistosos. Paga o preço, então. Não há mais lugar neste mundo para adultos inocentes. Não sei dizer se feliz ou infelizmente.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Eu seria extremamente feliz se não tivesse que falar em Inglês. Se um dia eu voltar para o Brasil é por causa da língua. Ficarei dois anos consecutivos aqui. Vou explodir. Ouço as músicas em Inglês, mas penso o tempo todo em Português e até faço frases longas, mentalmente, enormes monólogos em Português. Nem o Inglês tão lindo dos meus filhos salva-me.

Abril, 29

domingo, 24 de abril de 2016

Sobre chão de verdade



(por Suzana Guimarães - via celular)

Saudade daquela viagem, das estradas, do pó, da chuva, das inúmeras brigas; do caminho, do que eu sentia, do que eu esperava, do que encontrei. Saudade daquele povo estranho de olhar desconfiado que me lembrou o meu próprio, encravado naquelas montanhas daquela terra também úmida; saudade da moça teimosa do GPS, dos hotéis, da falta de sentido sobre o que é tempo além do exigido pelo sono e pela fome. Pelo cansaço. Saudade de ser minha por horas, por dias. Saudade de contravencionar. Saudade do momento exato em que torno-me um ser único, independente, sem pai, nem mãe, sem passado e presente, que acontece a partir da vigésima hora.

Não tenho pena dos andarilhos. Tenho dó é dos enraizados! 

É assim quando se pega a rota pela terra. 



Abril, 2016

sábado, 23 de abril de 2016

Eu não fotografo. Eu escrevo. As imagens que faço e compartilho são obras de amadora assumida. Não me dou créditos e títulos que não possuo. Fotografo por impulso e, por impulso, publico fotos muitas vezes sem retoques, naturais, eu sem retocar o batom, eu sem batom, minhas olheiras e eu. Publico também fotografias que fiz sem sequer abaixar o vidro do carro. 

Mas, eu escrevo, não é? E sou boa dona da palavra. Sei manipulá-la, sei usá-la, como se jogasse cartas em uma mesa de pôquer (meu pai era ótimo nessa mesa!). 
Pois, eu escrevo, e, quando escrevo, quem me acompanha sabe, há de tudo, do belíssimo ao feio, há o mal, a tristeza, dor e choro; mas também há sedução. Há prazer, riso, amor, ternura. Tesão. Eu não finjo a vida.


O fato é: cada um faz o que quer. Contudo, na prova dos olhos e dos sentires dos outros, muita gente leva bomba.


Eu disse que gostava de diários?
Não, eu nunca disse.
23, Abril.

domingo, 17 de abril de 2016

Post scriptum

(Suzana C. Guimarães)


O que dói em mim é tudo aquilo que eu não entendi. Se eu tivesse entendido, haveria brisa, ventos mansos, calmaria.
Haveria passos na calçada. E o mundo permaneceria o mesmo.
A falta de entendimento do que está acontecendo empurra-me para o vazio dos loucos.

Suzana Guimarães

quarta-feira, 13 de abril de 2016

De certas pessoas, devemos sair às pressas. Nada de arrumar malas, checar o óleo do carro, ajeitar o cabelo, retocar o batom. Desaconselhável, inclusive, dizer adeus.

Voltei com aqueles diários.

Fumegando em mim, a mágoa. Um córrego. Um rio. Um mar. Nada faz passar.

suzana guimaraes