EU DISSE QUE GOSTAVA DE DIÁRIOS?

Fotografia, Suzana Guimarães
Data: Junho de 2020


quarta-feira, 2 de novembro de 2022

A minha primeira perda foi aos oito anos de idade, meu avô paterno que me adorava se foi. Sim, eu já fui a preferida de alguém. Depois perdi minha vó materna no réveillon, e ela era a avó dos sonhos de todos. Bem logo depois, meu cachorro se foi muito velhinho, dezessete anos... e eu chorei um mundo. Nove anos atrás, meu pai tristemente se rendeu ao corpo doente e muito fraco e partiu. Meu pai amava viver. No ano passado, quem eu não esperava partir tão cedo se foi, a minha irmã. 
E eu vou morrendo todo dia num pouco de tristeza... já me perguntaram quantas mortes eu tive... respondo que várias, incalculáveis, e muitas delas ninguém soube.

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

terça-feira, 25 de outubro de 2022

"Criança, eu queria escrever com força, com verdade, de forma que não ficasse dúvida sobre aquele enunciado. Para não exagerar nos adjetivos, nunca achei graça nesse recurso enjoado, fincava o lápis no papel. A ponta afiada, às vezes, atravessava a folha indo parar na página seguinte. Quanto mais ênfase eu queria garantir numa ideia, mais fundo ia com o lápis, caprichando na letra e na intenção.
Aquilo me dava uma sensação de autoridade, de ser dona da palavra. Melhor, de ser lida, de ser ouvida. Era um grito por escrito".

Marina Moraes 

sábado, 22 de outubro de 2022

Didith

Tenho sonhado com a minha irmã todos os dias. Isso é uma dádiva. Ela não foi a irmã dos meus sonhos, mas foi a irmã que eu tive. E foi a única pessoa a me ajudar em coisas que ninguém fez ou fará. Se depender de mim, ela é livre, plena, caminha por entre flores; é feliz.