EU DISSE QUE GOSTAVA DE DIÁRIOS?

Fotografia, Suzana Guimarães
Data: Junho de 2020


segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Quebrado. Os americanos possuem a melhor expressão. É assim que me sinto. No começo, fui diligente. Depois, muito forte. Agora, em cacos, quebrada. Difícil é a reposição desses pedaços.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Peguei algumas coisas da minha irmã para mim, dentre elas, um protetor facial La Roche-Posay que estava no armarinho do banheiro, um colírio, um sorine, dois tubos de cânfora em gel, uma caixinha de remédio para dor que estavam na gaveta da escrivaninha e um potinho de goma de mascar de menta pela metade. Hoje, me vi olhando demoradamente para esse potinho de bala e vi que as histórias se estendem profundamente entre o sentimento da saudade daquilo que nunca mais será de novo e o dia de hoje acenando para o amanhã. Didith permanece nas coisas dela, e isso é consolo. 

Pensei nisso e pensei também que não devo mais dizer que ela faleceu, morreu, mas que ela desencarnou, foi embora, parou de brincar, quis mais não.

Setembro, 9

terça-feira, 7 de setembro de 2021

meu luto...

Continuarei assim, sofrendo meu luto e chorando. Posso. Devo. Nunca choro. Passo quatro anos sem derramar uma lágrima, passei... Em sete anos, chorei única vez quando sofri numa cirurgia difícil, porque eu estava cansada, cheia da vida. Não choro porque seguro a emoção, nada disso, sou um poço sem fim de emoção, mas eu não choro, não tenho lágrimas, até tento. Mas vou chorar e lembrar até tudo isso em mim passar.

sábado, 4 de setembro de 2021

“De vez em quando Deus me tira a poesia. Olho pedra, vejo pedra mesmo.” 

Adélia Prado 


segunda-feira, 30 de agosto de 2021

A secretária do médico para mim: se um dia você escrever um poema ou um conto ou crônica para ela, envia-me, por favor. 

Mas eu não funciono mais, nem o mundo de fora me atrai. Desculpa, Deus, mas eu não quero saber do problema do Afeganistão, nem do Brasil, nem do jornalista de Belarus. 

Estou a viver de outra forma, desconhecido jeito para dentro, caverna escura onde transito sem necessidade de sinalizadores.