EU DISSE QUE GOSTAVA DE DIÁRIOS?

Fotografia, Suzana Guimarães
Data: Junho de 2020


sábado, 8 de dezembro de 2018

Zelda dizia que sempre tem alguém pagando a conta de alguém...


"Não é preguiça. É uma paz interior." Maria do Socorro


Dez anos!


Em dez dias, levantarei um voo solitário, eu comigo mesma, a minha melhor companhia. Terei tempo para vislumbrar a porta dos últimos dez anos fechada. A porta das minhas vitórias porque até quando eu perdia, eu estava ganhando. Cumpri meu trato feito silenciosamente através dos meus atos. Fiz a minha parte. Não fui omissa, não negligenciei, não idolatrei deuses de mentira. Fui atrás das minhas certezas, mesmo que isso ofendesse alguém. Cedi mais vezes do que eu queria. Cobrei de mim mesma com diligência e amor. Amei. Amei. Amei. Fui brava e rebelde, surtei. Xinguei muito. Ameacei. Cumpri ameaças. Continuei a menina de sempre, cheia de críticas e com pensamento reto. Fui doce com quem mereceu a minha doçura. Afastei-me das pessoas que só reclamam e debocham porque não sabem dar cabo de seus próprios destinos. Dez anos vitoriosos. Moro onde alguns passeiam. Continuo sorrindo. Sou um brinquedo de Deus, mas ser brinquedo dEle é honroso e bom. Continuo Suzana. Não me vendi. Não me enganei. Não me perdi. Sou genuinamente feliz. Dez anos, mãe, obrigada!

Se você não é doente, a tristeza da sua vida é culpa sua.



Os primeiros dois meses da minha filha nos Estados Unidos - fotografia, março de 2009.

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(picture by Suzana Guimarães)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018


“Mi vida loca” estava escrito no braço da caixa do supermercado.

Comentei sorrindo a tatuagem. Ela agradeceu, disse que todos da família tinham a mesma tatuagem...

Pensei, e eu. Nas entranhas.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018


Sonhei um mesmo sonho duas vezes. Eu era cega e tentava abrir os olhos para enxergar. As pálpebras pesadas não se abriam... e isso era dolorido, agonizante. 

O que não quero enxergar? 

Gosto daqui. Via telefone celular, eles nos avisam que há perigo ou de fato inundações...
Chove o dia todo, desde ontem. 
Gosto.
Esse tempo combina comigo. 

Já não sou mais um sol ardente. 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018


No inverno chove. Faz silêncio na casa. Faz frio. Aquecedor central queimou. Não sei como ligar a lareira à gás. Ainda engatinho nessa casa. Gosto. Tenho todo o tempo do mundo. Sei quando as coisas são para muito tempo. Faz tempo quieto. Há panos brancos no varal. Tenho varais. Só falta dizer que tenho um cão. Faço torradas, cozinho ovos enquanto masco nuts. Faz tempo infinito em mim. Faço listas. Tenho um anjo. Amanhã é um segredo.

Dez anos se passaram. Tempo exato profetizado por ela, a minha mãe. Eu não sei como eu consegui largar tudo para trás e recomeçar num país estranho com duas crianças. Não sei. Ela previu uma década. Eu considerei muito, imaginei cinco anos. Esses anos acumularam-se em uma única memória de tudo vivido, aglutinado. Uma porta se fecha e eu só vejo a porta. Assim ficou a única memória, tampada pela porta concreta. Fácil é voar. Difícil é sustentar uma família em suas próprias pernas e isso desenha-se assim: alarmes diversos para não esquecer, comida, remédios, reuniões, buscas. Mudanças, o entrave da língua, o novo mundo. Outros amigos. Outros desejos. A solidão. Os problemas. Alegrias, sim, claro, mas o cuidado na dose... excessos podem aniquilar. As surpresas. Os acertos e desacertos. Uma história. Quatro.

O silêncio da casa é a extensão da minha alma. Chove. Sou feliz porque sou forte. Sou anja. Amanhã não será surpresa.

Adolescência só combina com adolescentes. Em adultos é chato e cansa.




terça-feira, 4 de dezembro de 2018


Procurando um talão de cheques novinho. Melhor cancelar. Detesto procurar coisas... Não aconselho ninguém a mudar muito de casa. Leva-se ano para assentar a cabeça, as coisas e os lugares.

domingo, 2 de dezembro de 2018


Engordei oito quilos e não estou feliz por isso, por isso, diga-se, porque sou feliz de nascença. Engordei após passar por uma cirurgia que poderia me deixar assim. Eu deveria ter me controlado mais na alimentação e voltado a me exercitar, mas nada fiz e agora me vejo gorda e chateada com esse fato. Uma atriz brasileira, em um programa de televisão, desabafa sobre a tristeza de ter se casado gorda, branca e de branco porque estava grávida e não podia fazer dieta. Eu a compreendo. Ela falou dela, desabafou. Mas vem o esquadrão do que é certo e errado e reage agressivamente, dizendo que ela é gordofóbica.

O mundo está muito chato!