EU DISSE QUE GOSTAVA DE DIÁRIOS?

Fotografia, Suzana Guimarães
Data: Junho de 2020


segunda-feira, 12 de junho de 2017


Quando cheguei nos EUA, E. disse-me, "Com o passar do tempo, você não pensará mais em Real, somente em Dólar, que será a sua moeda de uso." Fato. E. estava certa. Com o passar do tempo, tudo toma outro corpo e forma. Doze de junho não significa mais Dia dos Namorados para mim... e a lista torna-se infinita...
Junho, 12

I should have just let it go...


(photo by Suzana Guimarães)

sexta-feira, 9 de junho de 2017

O que mais me incomoda é o discurso de perfeição.


O que mais me incomoda é o discurso de perfeição.
Escrevi, dias atrás, "(...)Quero esquecer a moça que me apresentaram como guerreira, os golpistas, o poeta confuso, o homem em união estável, a mulher indecisa, a bipolar, (...)". Eu já escrevi várias vezes que escrevo para mim, mas eu tenho amigos bipolares. Incomoda-me pensar que ofendi, que fui insensível, apesar do artigo "a" em frente à palavra 'bipolar'. Então, eu pensava diretamente em alguém. Não dou satisfações sobre o que escrevo, mas eu respeito meus amigos e até os estranhos a mim, bipolares. Eu gostaria de dizer que a pessoa bipolar não me incomoda, o que me incomoda são os discursos de perfeição que ouvi pela vida e, hoje, cansada da lembrança deles, tentei expurgá-los.
Eu tive uma doença ansiolítica por décadas; um dos meus blogs se chama "O Medo de Suzana". Eu conheço certas doenças silenciosas bem de perto. Sei que meus amigos não precisam de explicação, mas eu não posso deixar de me explicar...
... e se a lua, (tão tua) minguar, eu te darei o meu céu... 


Angel Popovitz

quinta-feira, 8 de junho de 2017


Tudo acontece muito rápido quando é de Deus. Você pode até sentir o caminho enquanto o percorre, mas dias depois se perguntará como foi mesmo que aconteceu, puxará do fundo da memória os fatos ocorridos e se perguntará onde arranjou coragem. Deus é rápido.

Junho, 8 - um mês se foi e parece ter sido um dia, uma hora, alguns parcos minutos... 

em branco


(...)quatro dias brancos, seguidos; um céu constante, imóvel, silencioso. Branco. 

A minha mãe disse para eu não parar de escrever e eu penso nisso, "Parar por quê?". Nada neste mundo justificaria...

(...)esse céu provoca-me, brancura de arder os olhos... 

Quero esquecer o passado, quero começar folha nova. Branca. Esse tempo combina comigo e eu não recuso a oferta.

Quero esquecer a moça que me apresentaram como guerreira, os golpistas, o poeta confuso, o homem em união estável, a mulher indecisa, a bipolar, os ambíguos e os vendidos. Lembrar nunca mais dos perdedores. Quero esquecer as pessoas que exageram quando pensam em mim, e jamais enxergam a mulher normal, como outra qualquer. Dão-me honras que não tenho ou que eu mereça. Sou uma criatura que bate os dedos no teclado e debocha da vida, mas que nunca debochou do amor. 

E eles me apontam o amor, mas nunca o conheceram...

E eles me perguntam qual o meu número preferido, e eu respondo, "O branco".


(eu plagiando meu filho na última frase... mãe, enquanto houver céus, eu escreverei).

Junho, 8



terça-feira, 6 de junho de 2017


Ontem, hoje, dias que nascem e morrem brancos com frio de outono em final de primavera. 

segunda-feira, 5 de junho de 2017


Doeu-me vê-lo naquela gravação de segunda, correndo, naquela avenida escura, sozinho, perdido, desesperado, sujo, doeu muito e desde então, desde ontem, eu volto-me para ele, estendo invisível mão, alguma oração e um pedido aos céus.

Em seus anos de total anonimato, eu me lembrava dele, às vezes, e o imaginava... Foi triste vê-lo. Eu poderia tocá-lo, levemente, no escuro de todas as suas noites, eu poderia chorar um pouco por ele.

Junho, 5

domingo, 4 de junho de 2017


Já não suporto mais responder, quando a minha mãe pergunta como estou, "Cansada". Cansou-me isso, também. Então eu paro porque eu posso - todos nós podemos! Uma dose de caipirinha feita com cachaça brasileira ajuda. Parar é sempre bom. Só os loucos vivem sem interrupções; talvez, nem eles. Sentada no tempo, desisto até de mim, mesmo que seja só até à noite. Dei-me ao direito, ontem, de sentir-me o 'um' daquele jogo que meu tio-avô jogava, o "Resta Um". Restar, sobrar pode ser também sinônimo de vencer. Não combina comigo esse sentimento, mas sentir o que qualquer humano pode vir a sentir é magnânimo. Compartilhar, ser o outro, mesmo que brevemente. Parar. Repensar. Largar. Resgatar. Um dia, escreverei "perdoar ", eu ainda não faço isso. Perdão é coisa de Deus! Então, lentamente volto a mim mesma. Algumas pessoas pensam que eu escrevo para elas, inclusive já falaram-me isso às claras, mas eu escrevo para mim na forma mais egoísta possível e até quando pego a dor alheia e a sinto é por mim.

No ponto em que estou, sentada, na realidade, num tamborete na cozinha da minha casa, uma dose de aguardente é suficiente. Qualquer coisa, digo, qualquer coisa que possa vir a me conduzir a excesso, eu evito.

Respeito meu momento atual, agitado, incontrolável e cansativo, mas, hoje, agora, eu me dou ao direito de parar. Sou aquele jogo que meu tio-avô, o cara que me colocou no mundo, jogava. Sou a poderosa pedrinha vermelha, a que sobrou.


Buda não seria Buda se não tivesse deixado o palácio.

quinta-feira, 1 de junho de 2017


Eu sempre fui uma pessoa dura, às vezes doce, mas dura, feito a rapadura - um desenho comestível de mim. Meta os dentes sem atenção ou permissão e sentirá o impacto, sério, dura de nascença. Porém, quando vejo certos rostos e viajo neles e no tempo sinto o corpo todo por dentro desmanchando. Chego a escorrer pelo vão que há entre a minha história e esse resultado que sou, mais duro a cada dia.

Junho, 1