EU DISSE QUE GOSTAVA DE DIÁRIOS?

Fotografia, Suzana Guimarães
Data: Junho de 2020


terça-feira, 20 de janeiro de 2026

20 de janeiro de 2026, dezessete anos vivendo nos EUA.

Há exatamente uma semana, deixei o Brasil após trinta e nove dias de férias, reunião com a família e esforços domésticos. Há exatamente dezessete anos, cheguei aqui para morar.

Dezessete anos é muito tempo. Sinto-me estrangeira no Brasil embora tudo que tenho de amor pelo país. Não sou estrangeira na hora de andar nas calçadas, desviar de pedintes, pegar taxi, vigiar o tempo todo quando estou fora de casa, mas não reconheço marcas de comidas nos supermercados, não sei bem onde ir, não sei bem às vezes como falar - mudei a formação das frases, falo muito "sem problema" que é o "no problem"; "sim" - brasileiros respondem com verbos, "quero", "vou"... ao contrário dos americanos que dizem "yes".

Este ano, farei sessenta anos e trinta anos de casada, filhos criados, orgulho da coragem que tive, sensação de dever cumprido.

Este ano, vou fazer turismo perto de casa, passear mais vezes na minha cidade como se nunca a tivesse visto. É muito bom estar aqui, tenho menos ansiedade, tenho sossego.

A minha vida aqui nada tem a ver com os Estados Unidos dos noticiários. É aquela máxima, "você é o que dizem de você, o que você pensa de você e o que você realmente é". Digo isso do país e ele é o meu cotidiano, as ruas que passo, as pessoas que contacto, o trânsito, a fila no banco, as pessoas nos restaurantes, nas escolas e academias, no silêncio das ruas.

Dezessete anos aqui e posso e quero dizer, "next"! O pragmatismo americano é a minha cara.